Como praticar a fraternidade na vida econômica de uma escola?
Nesta palestra Rodrigo Ventre, Ana Paula Cury e Renata Pereira compartilham suas experiências sobre o tema da fraternidade nas relações econômicas.
Rodrigo Ventre fala ao vivo sobre a fraternidade econômica nas escolas Waldorf, com a participação especial da Dra. Ana Paula Cury e de Renata Pereira.
Rodrigo Ventre é fundador do Economia Viva e CEO do Grupo Eppo - Cidades Inteligentes. Possui experiência como consultor e executivo na profissionalização de empresas familiares, sucessão, governança, planejamento estratégico, gestão financeira e de negócios, desenvolvimento de lideranças e na modelagem de organizações com base na tríade social de Rudolf Steiner.
Ana Paula Cury é médica, com especialização em Medicina Antroposófica, é coordenadora do Projeto Semear em Paraisópolis e atua como professora e pesquisadora em instituições como a Faculdade Rudolf Steiner.
Renata Pereira é formada em comunicação social, parte da Rede Economia Viva e gestora na Sociedade Antroposófica no Brasil.
A nossa vida quotidiana está cada vez mais limitada pela crise do corona. Muitas pessoas estão preocupadas e especialmente as crianças estão assustadas com esta situação. No entanto, o medo e o stress enfraquecem o sistema imunitário. Portanto, além de interromper as cadeias de infecção e as medidas de higiene necessárias, é particularmente importante pensar no fortalecimento psicossocial e na melhoria da resiliência."
Segue a atual série de vídeos do Freunde der Erziehungskunst (Amigos pela Educação), que reúne diversos educadores membros do movimento "Pedagogia de Emergência". Este movimento iniciou em 2006 com Bernd Ruf, professor Waldorf alemão especializado em crianças com deficiência. A ele se juntaram diversos outros educadores e terapêutas antroposóficos que começaram a atender crianças, jovens e adultos vítimas de conflitos armados e desastres naturais. O trabalho deste grupo é atuar terapêutica e pedagogicamente para ajudar a cicatrizar o trauma vivenciado e incorporá-lo de forma positiva à própria biografia.
Os vídeos a seguir apresentam os métodos da Pedagogia de Emergência que contribuem para o fortalecimento psicossocial e, portanto, também para o fortalecimento do sistema imunológico. Fonte: pedagogiadeemergencia.org
Francesco Tonucci (Fano, 1940) é um especialista em crianças. De sua casa em Roma, onde está confinado há cinco semanas, o psicopedagogo italiano responde por videoconferência algumas das perguntas que mais afetam as crianças durante esse período de quarentena para combater o coronavírus. Tonucci reconhece que são muitos os pais que pedem conselhos. Propõe ideias como que tenham seu próprio diário secreto de confinamento e um lugar, por menor que seja, para se esconder dentro de casa. O psicopedagogo critica a escola e a maneira como ela enfrenta o confinamento.
Pergunta. O que é o pior do confinamento às crianças?
Resposta. Deveria ser não poder sair, mas é mentira porque infelizmente também não saíam antes. As crianças desejam sair e só podem fazê-lo com um adulto. De modo que é importante que as crianças voltem a sair, dentro e fora do coronavírus. Ficar em casa é uma condição nova, não ser autônomo não é. Espero que as crianças possam nos mostrar com a força desse confinamento como precisam de mais autonomia e liberdade. É muito interessante como elas estão reagindo. Durante os primeiros dias de confinamento, enviei um vídeo às nossas cidades da rede internacional da cidade das crianças encorajando a convocar os conselhos para pedir sua opinião e dar conselhos aos prefeitos; achava um pouco paradoxal que todo mundo pedisse aos psicólogos conselhos aos pais e aos pedagogos aos professores e ninguém pensasse nelas. As crianças sentem muito a falta da escola, ou seja, não dos professores e das carteiras e sim a falta dos colegas. A escola era o local em que as crianças podiam se encontrar com outras crianças. Outra experiência em que pude comprovar que a escola era muito desejada pelas crianças é quando estão no hospital.
P. Considera, então, que os políticos não levam em consideração os mais jovens para tomar suas decisões.
R. Como sempre. As crianças praticamente não existem, não aparecem em suas preocupações. A única preocupação tem sido que a escola possa continuar virtualmente. Na Itália, por exemplo, a grande preocupação é demonstrar que podem continuar da mesma maneira que antes apesar das novas condições, ou seja, fazer quase sem que eles percebam, sentados como estavam na escola, diante de uma lousa tendo aulas e com lições de casa. Muitos não se deram conta de que a escola não funcionava antes e nessa situação se percebe como funcionava pouco. As crianças estão cansadas das lições e para as famílias é uma ajuda porque é o que as deixa ocupadas. As lições de casa são sempre demais, não tanto pela quantidade e sim pela qualidade. São inúteis para os objetivos que os docentes imaginam.
0. Introdução 1. Excesso de peso e obesidade 2. Riscos para a saúde 3. Problemas de atenção e hiperatividade 4. Agressividade e comportamento antissocial 5. Depressão e medo 6. Intimidação a colegas (bullying) 7. Indução de atitude machista 8. Dessensibilização dos sentimentos 9. Indução de mentalidade de que o mundo é violento e violência não gera castigo 10. Prejuízo para a leitura 11. Diminuição do rendimento escolar e prejuízo para a cognição 12. Confusão de fantasia com realidade 13. Isolamento e outros problemas sociais 14. Aceleração do desenvolvimento 15. Prejuízo para a criatividade 16. Autismo 17. O problema do vício 18. Indução ao consumismo 19. Problemas causados pela Internet 20. Referências
0. Introdução
O número de 11/1/06, ano 39, Nº 1, ed. 1938, da revista Veja traz uma matéria de capa anunciando, nesta, "Ginástica para o cérebro – ao contrário do que se imagina, TV e videogame [sic] podem ajudar seu filho a ficar mais inteligente". A matéria propriamente dita, nas páginas 66 a 75, tem o título "Imersos na tecnologia – e mais espertos." Reagindo a essa matéria, escrevi um longo artigo, intitulado "Uma matéria de capa, educacionalmente maléfica, da revista Veja", disponível em meu site. Nele, eu critiquei essa matéria parágrafo por parágrafo, mostrando que todos os benefícios apontados para os meios eletrônicos eram falaciosos. No item 4 desse artigo interrompi a análise dos parágrafos e expus várias pesquisas que corroboravam minhas afirmações, mostrando os efeitos negativos da TV, dos jogos eletrônicos, do computador e da Internet em crianças e adolescentes, sendo que os dois últimos foram tocados apenas de leve, pois não eram tratados no artigo da Veja. Naquele item ainda expus várias de minhas justificativas para os resultados das pesquisas estatísticas. Minha ideia, quando escrevi o artigo, era manter aquele item sempre atualizado com dados de novas pesquisas. Infelizmente, outras tarefas impediram-me de concretizar esse último desígnio. Além disso, o artigo já estava muito longo, de modo que sua leitura foi certamente uma tarefa realizada na íntegra por poucos de meus leitores. Resolvi, então, extrair aquele item 4 e, baseado nele, escrever o presente artigo, que contém várias extensões.
Este trabalho acadêmico complementa os inúmeros artigos e livros que escrevi sobre meios eletrônicos e educação, pois neles eu fiz referência a poucas pesquisas científicas, e nenhuma das mais recentes (Setzer 2005, ver também artigos em meu site). No entanto, aqueles artigos contêm considerações conceituais que são apenas levemente cobertas neste trabalho. Assim, eles complementam-se mutuamente. Baseado no presente artigo, que engloba todos os meios eletrônicos, escrevi outro, apenas sobre os efeitos negativos da televisão, "A TV antieducativa". No entanto, esse último contém dados de várias pesquisas não citadas no presente artigo, de modo que o complementa em vários pontos, como por exemplo o fato de, devido à TV, crianças estarem falando cada vez menos.
Um foguete, uma varinha mágica, um trem ou qualquer tipo de
animal estão entre as muitas formas que um simples graveto pode tomar
pela criatividade e imaginação (principalmente) das crianças. O
exercício é importante para o desenvolvimento e para a construção
autoral dos pequenos e, ter esta consciência, ajuda os adultos a
garantir que haja momentos livres de brinquedos prontos.
“É preciso não planejar tantas atividades e não deixar tantas opções
de brinquedos com uma função específica disponível”, afirma Tatiana
Weberman, responsável pelo SlowKids,
movimento que propõe a desaceleração para a infância. “Deixar menos
opções, muitas vezes, é abrir uma porta para a criatividade e uma
vastidão de possibilidades.”
Criadora da plataforma de brincadeiras Massacuca,
Graziela Iacooca, conta que, ao contrário de muitos adultos, as
crianças não precisam de instruções para brincar com objetos do
cotidiano. “A nossa proposta é tirar o lúdico de objetos normais, o que a
criança sabe fazer. Estamos ensinando os adultos a disponibilizar isso
para os pequenos”, comenta.
O caso mais famoso é o tradicional baú de tesouros. Basta uma caixa,
balde ou sacola e diferentes objetos da casa, como utensílios de cozinha
em tamanhos e materiais variados. “Daí podem sair narrativas de
histórias incríveis ou um bolo ou qualquer coisa que a criança queira e
ela vai se divertir não apenas com os objetos, mas com a criação”,
comenta Graziela.
Construções das crianças podem ser ricas de significado. Foto: Massacuca
Os mesmos objetos podem ser também contornados, congelados,
ornamentados, mergulhados na água, enterrados e assim por diante. “Não
somos exatamente contra brinquedos, mas contra o excesso de brinquedos e
contra os que têm uma função específica”, explica.
Um animal bem pequeno, por exemplo, pode ser colocado dentro de uma
bexiga com água, congelado e depois se transformar em um ovo a ser
quebrado para retirar o bicho de lá de dentro.
O brincar espontâneo é objeto de pesquisa da cineasta Renata
Meirelles. Por conta disso, viajou por 9 estados e estabeleceu-se em 14
comunidades diferentes durante 1 a 3 meses para estudar o assunto e
produzir o documentário Território do Brincar, lançado este ano. “O foco foi sempre entender o que a criança faz, elas que dizem o que querem nos mostrar”, conta.
Ela e o marido viajaram com os dois filhos, agora com 6 e 8 anos, que
também participavam das brincadeiras. Os destinos escolhidos foram
locais com pouca estrutura como o Vale do Jequitinhonha, em Minas
Gerais, ou o Recôncavo Baiano.
“A gente viu muitas que não se utilizam de brinquedos comprados,
industrializados, elas reúnem o nada e organizam para compor o que elas
brincam”, explica, ainda com o encanto da riqueza percebida. “Nesta
busca, ela consegue se ver representada por aquelas coisas que ela fez,
compôs, arrumou. Cria um diálogo grande com quem ela é.”
Capim e tecido se tornam ‘boneca em batizado’. Foto: Território do Brincar
Para ela, há um “sufocamento da própria infância” com a quantidade de
brinquedos de que algumas são cercadas. “Mesmo os brinquedos mais
comuns, como carrinhos e barquinhos, para os meninos, quando são feitos
por eles, com latas, tábuas, chinelos, pneus e uma gama de objetos
contam uma história e geram um vínculo diferente.”
Ela conta que impressionam os detalhes, por exemplo, em casinhas com
panos colocados como toalhas de mesa e flores para decorar. “Foi
incrível a diversidade de composições de brinquedos e brincadeiras”,
comenta.
Os filhos levaram uma mala de brinquedos que também eram
compartilhados e costumavam interessar às demais crianças. “Certamente
se você falar que vai dar, eles querem, mas sabem distinguir. Eles
dizem, por exemplo, que brinquedo comprado ‘quebra’, ou seja, os deles,
em sua percepção, são apenas modificados.”
Para ela, entre tantas lições do projeto Território do Brincar, uma
bastante clara é que a infância precisa do ócio e da ausência de
brinquedos prontos para que possam acessar os próprios desejos, vontades
e interesses. “Elas conseguem concretizar na prática seus sonhos com
sua imaginação.”
Hoje, Quarta-Feira dia 16/03 estreia no Solar do Barão a exposição MOB, uma realização do projeto Arte Bicicleta Mobilidade, que irá expor trabalhos de pessoas ligadas a arte e a política da bicicleta. A programação inclui uma exposição – no melhor da estética bike –, mas também debates, performances e lançamentos de livros.
Um dos destaques é o trabalho da designer Michele Micheletto, que lança no arrastão do Interlux e companhia um “guia defensivo para ciclistas”. “É um fanzine que ensina a gente a se defender”, diz a autora. Michele também encabeça a intervenção “bicicletas brancas”: bikes avariadas são arrumadas, pintadas de branco e coletivizadas. Para usá-las, basta mandar e-mail para bicicletabranca@gmail.com.
O evento encerra em 22 de maio com a fundação da Associação de Ciclistas de Curitiba e região metropolitana. Por vias oficiais, cicloativistas vão monitorar políticas públicas e contabilizar acidentes com ciclistas, entre outras atividades.
Preço:
Entrada franca
Quando:
Abertura: 16/03 às 19h
Em cartaz: 17/03 até 22/05
Terças a sextas das 9h às 12h e 13h às 18h
Sábados, domingos e feriados do 12h às 18h
Onde:
Solar do Barão
(Rua Carlos Cavalcanti, 533 – Centro fonte:Curitiba Mix
Ou vivemos em harmonia com a natureza e extinguimos essa arrogância de achar que somos donos da verdade e que podemos sobreviver dentro desta ilusão do lucro a qualquer custo, ou a vida na Terra ficará cada vez mais rara.
André Garcia
Polinização em risco
A Agência Ambiental das Nações Unidas alertou em um relatório divulgado na quinta-feira (10) que a população mundial de abelhas vai continuar em declínio a não ser que o homem mude sua maneira de manejar o planeta.
América do Norte, Europa, o Oriente Médio e partes da Ásia foram afetadas com perdas de milhões de abelhas, afirma o relatório. O documento clama para que sejam oferecidos incentivos aos proprietários de terras e fazendeiros para restabelecer o habitat das abelhas, incluindo flores que são essenciais para a perpetuação das abelhas.
O Departamento de Agricultura dos EUA afirmou que as colônias de produção de mel diminuíram: de uma população de 5,5 milhões em 1950 para 2,5 milhões em 2007.
As abelhas são necessárias para polinizar as colheitas que alimentam a crescente população mundial. Das 100 espécies de lavoura que produzem 90% da comida que o mundo consome, mais de 70 são polinizadas por abelhas, segundo o relatório das Nações Unidas.
“Os seres humanos fabricaram a ilusão de que no século 21 eles teriam desenvolvido tecnologias o suficiente a ponto de se tornarem independentes da natureza”, afirmou Achim Steiner, diretor executivo do programa ambiental das Nações Unidas. “As abelhas ressaltam a realidade de que somos mais dependentes dos serviços da natureza em um mundo que está perto dos 7 milhões de habitantes.”
A economia global e o comércio internacional aparentam estar contribuindo para as perdas de abelhas. Novas espécies de petógenos que podem ser mortais para os insetos estão migrando de uma região para outra como resultado das trocas comerciais, diz o relatório.
Peter Neumann, co-autor do relatório, afirmou que a transformação das áreas rurais nos últimos 50 anos incentivou um declínio na população de abelhas e outros polinizadores.
“Nós precisamos ficar atentos sobre o modo como manejamos essas colônias, mas talvez mais importante que isso, precisamos manejar melhor o planeta e as paisagens, para recolocar as populações de abelhas selvagens em níveis salutares com custo-benefício aceitável”, disse Neumann.
Na América do Norte, as perdas de colônias de abelhas melíferas desde 2004 deixaram o continente com o menor nível de polinizadores manejados dos últimos 50 anos.
China e Japão também reportaram recentemente perdas de colônias.
Uma das causas apontadas para o desaparecimento dos insetos é o ácaro Varroa, que matou milheres de abelhas na Europa, América do Norte e no Oriente Médio. África, América do Sul e Austrália não têm problemas com o Varroa.
Paradigma (do grego parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nesta animação feita pela RSA, ilustra muitíssimo bem a palestra "Mudando os paradigmas da educação", proferida por Sir Ken Robinson, Doutor em Educação. Ele é reconhecido internacionalmente como líder em desenvolvimento da criatividade, inovação e recursos humanos. Trabalhou com governos na Europa, Ásia e Estados Unidos, com agências internacionais, e algumas das principais organizações mundiais de cultura.
Segue o fascinate vídeo, que mostra o quanto nossos métodos de educação estão muitíssimos atrasados ainda no Brasil e no mundo e precisam ser mudados e discutidos seriamente.
(Para ativar a legenda, clique no botão "CC" do lado direito em baixo.)
Poderia ser uma escola pública como outra qualquer. Porém, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, que fica no bairro do Butantã, zona norte de São Paulo (SP), traz algo diferente em sua forma de educar as crianças. Entre as disciplinas do currículo escolar, os alunos têm um tempo reservado para o aprendizado da cultura popular brasileira, através de manifestações da tradição oral.
Este trabalho é realizado pelo Ponto de Cultura Amorim Rima e Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira (Ceaca), que atua dentro da escola. Comandado por Alcides Lima, o ponto de cultura atende cerca de 300 crianças de 1ª a 4ª série.
Mestre Alcides, como é conhecido, conta que o trabalho começou por oficinas de capoeira fora do período escolar no ano 2000. E se consolidou quando, em 2005, o grupo passou a ser ponto de cultura, através de um edital do Ministério da Cultura (MinC).
O mestre explica que as aulas sobre a cultura popular ministradas pelo ponto de cultura fogem dos padrões do ensino formal das escolas brasileiras. A oralidade, segundo ele, trata-se de repetição. Assim, nas aulas, as crianças aprendem através da repetição de histórias, cantos, contos, poesias, entre outras manifestações artísticas. Primeiro, aprende-se o que é determinada tradição, trabalhando a parte gestual dela, como dança, música ou teatro. Depois, o aluno estuda sobre a sua origem e todo o contexto que a envolve. "A gente vai dando à criança essa questão da oralidade. Ah, de onde vem o coco? De Pernambuco. E onde fica Pernambuco? Fica no Nordeste. O que é ciranda, cordel? Que linguagem é essa? Como surgiu? Por que surgiu?", exemplifica Alcides. Desta forma, o ensino da tradição oral complementa a educação formal. Atualmente, o ponto de cultura trabalha além da capoeira, com coco, ciranda, puxada de rede, maculelê e samba de roda.
Ação Griô
O trabalho desenvolvido no Ponto de Cultura Amorim Rima não é único. Ele faz parte da Ação Griô Nacional, uma rede que integra 130 pontos de cultura em todo o país e que, através de seus mestres, busca fortalecer a identidade cultural de crianças e adolescentes, segundo a tradição de cada comunidade.
O objetivo da Ação é criar uma política nacional de educação que garanta o ensino das tradições orais e da cultura popular brasileira. “É uma mudança do currículo, da prática pedagógica da escola com esse novo olhar e com essa nova geração que se cria com os saberes e com os griôs e mestres”, explica Lílian Pacheco, educadora e coordenadora da Ação Griô Nacional.
A rede nasceu a partir do Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô, em Lençóis (BA), do qual Pacheco é coordenadora pedagógica, e hoje é formada por cerca de 750 mestres e griôs aprendizes.
A educadora conta que a Ação Nacional começou quando, com a formação dos pontos de cultura em 2005, o então secretário de Cidadania Cultural do MinC, Célio Turino, se interessou pelo projeto do Grãos de Luz e Griô, que já trabalhava com a oralidade, e decidiu estender a ação para todo o país.
Com isso, os pontos que já realizavam trabalho semelhante passaram a integrar a ação. “Uma coisa que a gente fala, não só eu, mas todos da tradição oral, é que a gente não começou com a Ação Griô, com o Ministério da Cultura. A gente lida com isso há muitos anos”, explica Alcides.
Reconhecimento
Para ser um mestre griô é necessário ser reconhecido por sua comunidade como detentor do conhecimento das tradições orais. Além dos mestres, existem os griôs aprendizes, que são educadores que trabalham com o ensino da cultura popular.
A palavra griô vem de griot, em francês. A palavra tem sua origem em bamanan, língua do noroeste da África, antigo império do Mali, e significa “o sangue que circula”. Assim como o significado da palavra, são reconhecidos como griôs aqueles que fazem com que as tradições circulem entre as novas gerações, preservando a identidade cultural de cada povo.
Lílian Pacheco aponta que a Ação Griô traz o reconhecimento dessas pessoas que guardam os saberes e tradições de cada comunidade. “O mestre griô daquela comunidade passa a ter um outro lugar social, político, econômico e educacional”, relata.
A griô aprendiz Catarina Ribeiro, do Ponto de Cultura A Bruxa Tá Solta, situado em Rorainópolis (RR), diz que nas comunidades em que a Ação Griô atua, percebe-se um olhar atencioso para os mais velhos. “Hoje temos jovens que falam que a melhor coisa no convívio com os mestres é a permanente prática de cooperação e solidariedade”, afirma.
Com isso, os mestres ganham visibilidade e começam a ser reconhecidos em seus locais de origem. “Para nós, do Ponto, eles são os nossos guardiões, fonte em que buscamos a renovação das forças e a alegria para caminhar. E os saberes da tradição oral são o ativo estratégico para continuarmos a riqueza da diversidade cultural brasileira”, conta a griô aprendiz, responsável pela coordenação da Regional Amazônia da rede.
Identidade cultural
Segundo Lílian Pacheco, esse reconhecimento contribui para o resultado que se espera obter através da educação das tradições orais, que é “o fortalecimento da identidade das crianças e dos adolescentes, a ancestralidade da criança e do adolescente de cada comunidade”.
A educadora afirma que, com o trabalho realizado pela Ação Griô, as crianças passam a reconhecer a sua etnia, sua descendência e a história de seu povo. No mesmo sentido, os educadores passam a tratar as ciências que são ensinadas nas escolas com um olhar mais contextualizado dentro do universo dos saberes, enriquecendo o aprendizado. “A ciência que tem o pescador daquela comunidade passa a ser integrada na ciência que está sendo estudada na escola”, exemplifica.
Pacheco, através das experiências vividas em seu ponto de cultura na cidade de Lençóis, reuniu todas as atividades e práticas realizadas e formulou a Pedagogia Griô. No entanto, segundo ela, cada ponto de cultura acaba criando o seu próprio modo de ensino através da oralidade, de acordo com o contexto cultural local.
No caso do Ponto de Cultura Amorim Rima, em São Paulo, Mestre Alcides conta que a capoeira é trabalhada como “uma possibilidade humana de educação”. Ele explica que através dela é possível agregar valores às crianças. “Porque dentro da capoeira tem toda uma questão de resgate de valores, como o respeito, o reconhecimento, entender porque as pessoas não são iguais, que cada um tem a sua dificuldade, que um complementa o outro. A gente trabalha isso”, descreve.
Outro exemplo pode ser dado através da experiência realizada no Ponto de Cultura Nina Griô, que fica em Campinas (SP). Marcos Alberto Simplício, o mestre Marquinhos, relata que um dos trabalhos realizados por seu ponto de cultura é a Roda do Conhecimento, uma reunião mensal de troca de saberes através da oralidade, onde crianças e adolescentes ouvem pessoas envolvidas no universo da cultura popular contarem suas histórias e experiências de vida. Segundo ele, esta é uma “pedagogia que valoriza o poder da palavra e fortalece os processos de formação de identidades locais”.
Para Catarina Ribeiro, “garantir o cuidado e a rede de transmissão oral é garantir a brasilidade que nos diferencia e nos aproxima dos demais povos”.
Mais sobre o assunto:
Oralidade pode integrar currículo oficial de ensino
A música faz parte da História da Humanidade desde os mais remotos tempos.
As pinturas rupestres, achadas em sítios arqueológicos, e que descrevem a rotina de grupamentos humanos primitivos sugerem danças e uso de instrumentos musicais.
A História das civilizações antigas é repleta de manifestações musicais, algumas delas ligadas a rituais religiosos ou a festas tradicionais de cada povo.
Desde a vida intrauterina a música parece influir no bebê. Mulheres grávidas relatam menor agitação da criança quando escutam música suave.
Durante os primeiros meses de vida a criança já mostra percepção musical. Estudos demonstram que os recém-natos parecem se acalmar ao ouvir uma melodia suave.
As crianças comumente se alegram quando ouvem música e, nessa fase da vida, podemos influenciar seu gosto musical através do hábito.
Entre os séculos XIII e XIX a Humanidade foi presenteada com compositores que criaram um estilo de música elevado, conhecido hoje como música clássica e erudita, que significa música de qualidade.
Entre os compositores desse período estão Johann Sebastian Bach, Ludwig van Beethoven, Wolfgang Amadeus Mozart, Frederic Chopin.
Esse tipo de música, originalmente composta na Europa, ganhou adeptos no mundo todo. Hoje, grandes orquestras em todos os países se dedicam a apresentar obras dessesgênios da Humanidade.
Beethoven costumava dizer que Deus se comunicava com ele através da música. Mozart dizia que a música não era sua, mas sim fruto de uma inspiração superior.
Muitas composições de Bach foram influenciadas por sua religiosidade e até hoje emocionam o mundo, como o famoso Oratório de Natal.
Os espectadores de um concerto de música clássicasentem-se comumente enlevados, desfrutando de uma emoção muitas vezes indescritível.
Comumente tal gosto musical se associa a outros hábitos culturais. Por este motivo esse estilo musical é também chamado erudito, palavra que significa vasta cultura.
A platéia dos concertos clássicos costuma manter-se em silêncio, comportamento bastante diverso das apresentações de estilos musicais populares que convidam à agitação.
No entanto, ainda hoje, em muitas sociedades, o gosto pela música clássica não é o que predomina, talvez porque tal estilo não seja apresentado às crianças.
Assim como a educação formal é necessária para que a criança aprenda a ler e a escrever, e desenvolva um conhecimento básico que a habilite para sua vida, a educação musical pode formar o hábito do indivíduo.
Ao ouvir música de elevada qualidade desde a infância, o indivíduo poderá incorporá-la a seus hábitos com maior facilidade.
Educar é desenvolver a capacidade física, intelectual, moral e afetiva de um indivíduo. Educar uma criança é uma tarefa da mais alta responsabilidade.
É dever de quem educa mostrar caminhos de qualidadea uma criança e dar a ela bases morais para escolher o caminho que, mais tarde, usando seu livre-arbítrio, ela escolherá.