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domingo, 28 de novembro de 2010

I Encontro de Cultura e Comunicação do Instituto Federal do Paraná (IFPR)

Encontro que fortalece a comunicação em Curitiba promove duas palestras interessantes sobre o tema. 
André

Programação

O I Encontro de Cultura e Comunicação do IFPR será composto por duas palestras de abertura, no dia 01 de dezembro (quarta-feira), das 18h30 às 22h30, e por oito oficinas, que serão realizadas nos dias 01, 02 e 03 de dezembro. Não há necessidade de inscrição para as palestras, apenas para as oficinas.

Confira a programação:

PALESTRAS
Data: 01 de dezembro
Local: Auditório do IFPR Campus Curitiba

18h30: Recepção
19h00: Solenidade de abertura
19h30: Palestra Quando a arte encanta o jornalismo
Palestrante:  Luiz Andrioli
21h00: Palestra Comunicação. Marketing. Cultura. Estratégias e Ações Culturais nas organizações
Palestrante: Maria Christina Andrade Vieira
 

IFPR Campus Curitiba
João Negrão, 1285
Como chegar de ônibus
(linhas que passam nas proximidades)

Alcides Munhoz / J. Botânico
Bom Retiro / PUC
Canal Belêm
Circular Centro (anti-horário)
CTBA / Apolo
CTBA / Braga
CTBA / Guatupê
CTBA / Independência
CTBA / Jd. Cristal
CTBA / Jd. Ipê
CTBA / Jd. Izaura
CTBA / Pedro Moro
CTBA / Posto Paris
CTBA / PUC
CTBA / Quisisana
CTBA / Roseira
CTBA / São José
CTBA / Urano
CTBA / Xingu
Erasto Gaertner
Executivo / Aeroporto
Guabirotuba
Jd Centauro
Jd Itiberê
Menonitas
Petrópolis
Prado Velho / Pedro Moro
Raquel Prado / Puc
Solitude
Sta. Barbara
Tuiuti / Torres
Uberaba
V. São Paulo
Biarticulado Santa Candida / Capão Raso
Biarticulado Pinhais / Rui Barbosa
Biarticulado Centenário / Campo Comprido

Para estacionar (apenas sugestão, não há convênio)
Auto Park Estacionamentos
Rua João Negrão, 1251
 

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Religião: chave para dialogar com o povo

Fonte: Brasil de Fato

Para o histórico militante da Teologia da Libertação, na América Latina, longe de alienar, a religião é a chave para a transformação social

15/09/2010
Joana Moncau,

Desinformémonos


“Jamais haverá participação popular nos processos políticos latino-americanos sem incorporar a religiosidade do povo”, é o que afirma sem titubear o frei dominicano, jornalista e escritor, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto.

Uma das principais referências da teologia da libertação no Brasil e com larga trajetória de lutador social, ocupa lugar privilegiado para versar sobre o tema. Não por acaso, seu livro “Fidel e a Religião” (1986) teve importante papel, segundo próprio bispo cubano, para "tirar o medo dos cristãos e o preconceito dos comunistas". Indubitavelmente, a reconciliação entre a Igreja Católica e o governo revolucionário cubano deve algo a Frei Betto.

No Brasil, militante dominicano desde sua juventude na época da ditadura (1964-1985), contribuiu para a realização de acontecimentos históricos. Entre eles a fundação do Partido dos Trabalhadores, o PT, governo do qual chegou a formar parte em seu início com a eleição de Lula a presidência da república, em 2002.

Política, religião e comunicação. Na entrevista que segue Frei Betto, recorre a esses três pilares para nos deixar sua impressão sobre o atual momento político por que passa a América Latina.



Como frei dominicano e militante junto às bases populares na época da ditadura brasileira, como avalia a importância da Igreja Católica para as lutas sociais na América Latina, especialmente no combate às ditaduras que assolaram a região durante a década de 60? De lá para cá, mudou o perfil da atuação social da Igreja?

Frei Betto: Nos anos 1960 e 1980 a Igreja Católica, renovada pelo Concílio Vaticano II e pela conferência episcopal latino-americana em Medellín (1968), teve papel preponderante nas lutas sociais na América Latina. Através das Comunidades Eclesiais de Base e do advento da Teologia da Libertação, decorrentes da "opção pelos pobres", muitos militantes foram formados pela Igreja segundo o método Paulo Freire. Em países sob ditadura, como Brasil e Nicarágua, essa formação resultou em opção revolucionária. Diria que, de certo modo, as eleições recentes de Lula, Correa, Evo, Funes e outros têm a ver com esse processo pastoral.

Com o pontificado de João Paulo II e a queda do Muro de Berlim, iniciou-se a "vaticanização" da Igreja latino-americana. A Teologia da Libertação foi censurada; os bispos progressistas afastados; padres conservadores nomeados bispos etc. Hoje a Igreja Católica, embora abrigando grupos progressistas comprometidos com as causas populares, reflui na opção pelos pobres e busca situar-se numa suposta neutralidade frente aos conflitos sociais.



Qual a ponte entre o cristianismo e a luta armada?

Hoje, na América Latina, a luta armada só interessa a dois setores: fabricantes de armas e extrema direita. Governos como Lula, Chavez, Mujica etc demonstram ser possível realizar reformas estruturais pelas vias pacífica e democrática. Porém, a questão da relação cristianismo e luta armada está, em tese, equacionada desde o século XIII por meu confrade Tomás de Aquino. Em caso de opressão prolongada e sem outro recurso para se evitar um mal maior fora da resistência armada, então esta é justa e legítima. Nos anos 1960 e 80 isso se aplicava a países da América Latina sob ditaduras, o que explica os testemunhos de Frei Tito de Alencar Lima, Camilo Torres e tantos outros cristãos que participaram da luta armada. Esse mesmo princípio tomista levou João Paulo II a comemorar os 50 anos da vitória da resistência europeia contra o nazifascismo. E, como sabemos, a resistência atuou com armas.



As lutas sociais latino-americanas incorporaram símbolos e princípios do catolicismo (como a Nossa Senhora de Guadalupe no México, as místicas do MST, etc). É possível falar em alguma luta que seja genuinamente popular na América latina e que desconsidere a força do catolicismo e da religião?

Que eu saiba não há nenhuma força política progressista na América Latina que apregoe o ateísmo e seja antirreligiosa. Desde que Fidel acentou, na entrevista que lhe fiz em 1985 (livro "Fidel e a Religião") a importância da religião como fator de libertação, o preconceito praticamente terminou. Jamais haverá participação popular nos processos políticos latino-americanos sem incorporar a religiosidade do povo. Aqui a porta da razão é o coração e a chave do coração é a religião.



Considerando essas questões, como interpretar o caso da revolução cubana? Como avalia a situação por que passa o país hoje?

A Revolução cubana incorporou os valores religiosos do povo, tanto que teve líderes assumidamente cristãos, como Frank Pais e José Antonio Echeverría, bem como capelão, o padre Guillermo Sardiñas, que após a vitória mereceu o título de Comandante da Revolução.

Hoje Cuba passa por um período de excelente relações entre Igreja e Estado, a ponto deste permitir quea Igreja Católica faça a mediação que possibilita a libertação de presos de consciência.



Que papel os movimentos sociais desempenham hoje na política latinoamericana? No Brasil, pode-se dizer que foram a maior herança de resistência e organizaçao da época da ditadura?

Sem os movimentos sociais a América Latina não estaria vivendo essa primavera democrática representada por Lula, Chávez, Funes, Mujica, Evo, Correa, Lugo etc. No entanto, ocorre hoje um refluxo dos movimentos sociais, muitas vezes porque suas lideranças foram cooptadas para aqueles governos. A queda do Muro de Berlim, a influência do neoliberalismo e das novas tecnologias, o advento da pós-modernidade, são alguns dos fatores que explicam a desmobilização dos movimentos sociais, embora alguns permaneçam ativos, como o movimento indígena e, no caso do Brasil, o MST. O movimento indígena, graças à eleição de Evo Morales, o primeiro indígena presidente, ganha autoestima e, devido ao tema ambiental estar em pauta, também relevância, sobretudo na proposta do BEM VIVER, nos ensinando que devemos aprender a considerar o necessário como suficiente.



Quanto aos governos com origem na esquerda partidária e nos movimentos sociais que vêm se consolidando no cenário latinoamericano, é possível classificá-los como governos de esquerda?

Não, são governos progressistas e, alguns, como é o caso da Venezuela, até explicitam o socialismo como projeto político. Mas também estão longe de serem governos de direita ou conservadores. Dentro de possibilidades reais, e não ideais, atuam em favor dos mais pobres e sobretudo desarticulam o poder político das oligarquias tradicionais, embora elas prossigam com muito poder econômico.



Tendo acompanhado o partido e colaborado com o PT desde sua fundação, como o senhor avalia os 8 anos de governo Lula em relação à proposta inicial do partido? Como o senhor define sua relação atualmente com o PT e com Lula?

Lula fez o melhor governo de toda a história republicana do Brasil. Permitiu que 19 milhões de pessoas saíssem da miséria. Estabilizou a economia. Mas não fez nenhum reforma estrutural e nem qualificou a saúde e a educação. Escrevi dois livros de avaliação do governo Lula: A MOSCA AZUL e CALENDÁRIO DO PODER (editora Rocco). Apesar das limitações, penso que é importante dar continuidade do governo do PT.



Como jornalista e escritor, qual o papel da comunicação para a transformação social? A comunicação ainda é o Quarto Poder? Como enfrentar esse poder?

A comunicação não é mais o quarto poder, é o primeiro. Vide o papel do marketing eleitoral nas campanhas políticas. Ocorre que os grandes veículos de comnicação se encontram em mãos da elite conservadora. Um dos desafios a serem enfrentados pelos setores progressistas é o de encontrar alternativas à comunicação controlada pelos monopólios poderosos.



Esteve preso por 4 anos. Como essa experiência interferiu na sua vontade de lutar contra a ditadura e as injustiças sociais?

Ao contrário, foi a minha militância por justiça social e contra a ditadura que me levou à prisâo. Esta apenas reforçou minha decisão de estar sempre ao lado dos oprimidos, ainda que aparentemente eles não tenham razão.



O senhor já escreveu mais de 50 livros, em quantas linguas já foi traduzido? Qual dos seus livros recomenda para nossos leitores que queiram conhecer melhor o Frei Betto?

Minhas obras já foram traduzidas em 32 idiomas e 23 paises. Para o leitor latino-americano sugiro obras em espanhol editadas em Cuba: Fidel y la religion; La obra del artista - una vision holística del Universo; Un hambre llamado Jesús (novela). E deve sair em breve La mosca azul.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Relatório na Câmara extingue Ecad

As novas regras estão no substitutivo do deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ) ao Projeto de Lei 2850/03, da Comissão de Legislação Participativa (CLP – Criada em 2001, tornou-se um novo mecanismo para a apresentação de propostas de iniciativa popular.


Recebe propostas de associações e órgãos de classe, sindicatos e demais entidades organizadas da sociedade civil, exceto partidos políticos. Todas as sugestões apresentadas à comissão são examinadas e, se aprovadas, são transformadas em projetos de lei, que são encaminhados à Mesa Diretora da Câmara e passam a tramitar normalmente.). O projeto tem origem em uma sugestão da Casa do Compositor Musical.

O texto extingue o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) e cria, em seu lugar, o Centro de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais (Cadda), sujeito a regras mais rígidas. “A relação dos artistas e produtores com o Ecad tem sido conflituosa”, justifica o relator.


Alexandre Cardoso explica porque quer acabar com o Ecad. Para ouvir a reportagem completa da Rádio Câmara, clique aqui.

Segundo ele, o Ecad executa com proficiência o recolhimento antecipado dos valores devidos aos artistas pelos direitos sobre as suas obras, mas os registros dos repasses não são publicados com regularidade, o que dificulta a fiscalização.

O deputado ressalta que o objetivo é assegurar o recebimento do dinheiro pelos artistas. “Se você conversar com cem compositores, todos vão dizer que o Ecad não cumpre a função de distribuir o valor arrecadado, e há compositores obrigados a viver de favores pessoais. Aonde está indo o dinheiro? Então, o projeto dá transparência, acaba com uma estrutura dirigida pelo mesmo grupo há 15 anos e, principalmente, cria a certeza de que o artista vai receber o dinheiro devido”, explica.

O projeto original criava uma nova lei sobre direitos autorais, e o substitutivo apenas modifica a lei atual (9.610/98). A lei garante ao autor o direito exclusivo sobre a sua obra literária, artística ou científica. Segundo a legislação, depende de autorização prévia e expressa do autor o uso de qualquer obra, por meio de quaisquer modalidades.

Gastos limitados
Com o objetivo de evitar irregularidades, o Cadda terá os seus gastos limitados a 20% do valor bruto recolhido com direito autoral, e passará por uma auditoria independente das suas contas a cada dois anos. O substitutivo estabelece que 2% da arrecadação bruta do novo órgão serão destinados a um fundo privado que viabilize projetos sociais e assistenciais em benefício dos autores associados. Ao fundo, também serão incorporados os créditos arrecadados e não reclamados após três anos.

Conforme a proposta, o órgão máximo do Cadda será um conselho diretor com cinco integrantes com mandatos de três anos, eleitos pelas associações sem fins lucrativos para o exercício e defesa dos direitos de autores. Porém, a filiação a essas associações não será necessária para receber o dinheiro do direito autoral.

O substitutivo prevê que o Ministério da Cultura estabelecerá as condições de incorporação do patrimônio, valores, recursos humanos e conhecimentos técnicos adquiridos pelo Ecad. A sede do Cadda ficará no Distrito Federal, e poderá haver escritórios regionais.

Contratos
Para proteger os autores das obras musicais, o texto do deputado Alexandre Cardoso cria regras para os contratos de edição. Segundo a legislação atual, o editor pode ser autorizado, em caráter de exclusividade, a publicar a obra e a explorá-la pelo prazo e condições pactuadas. O substitutivo de Cardoso estabelece que a taxa de participação do editor musical não excederá 20% do valor do contrato. Além disso, determina que o editor apresente a cada seis meses uma prestação de contas ao autor.

O projeto original previa a criação de uma entidade assistencial de amparo aos compositores. Porém, o relator considerou essa medida “inoportuna, por se tratar de uma possível fonte de gastos abusivos dos direitos do autor e de outras irregularidades”.

Projeto do governo
Está em consulta pública no Ministério da Cultura, até 20 de julho, um anteprojeto de lei que também altera a Lei de Direitos Autorais, fixando regras mais rígidas para o Ecad. O texto prevê que o Ministério da Cultura passará a supervisionar a atuação da entidade, que terá as suas atividades submetidas também aos sistemas brasileiros de Defesa da Concorrência e de Defesa do Consumidor.

* Fonte: Agência Câmara de Notícias (Lara Haje e Alexandre Pôrto)

http://www.culturaemercado.com.br/noticias/relatorio-na-camara-extingue-ecad/

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Lançada em Curitiba a Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária

A Rede reúne comunicadores e comunicadoras de vários estados brasileiros que atuam em defesa da reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais que atuam em sua defesa.

Por Anderson Moreira - 24/06/2010

O ato de lançamento da Rede aconteceu nesta quarta (23) na APP-Sindicato e contou com a presença de militantes de movimentos sociais e partidos políticos, estudantes e jornalistas. A Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária já conta com várias adesões. A participação é aberta a todas as pessoas interessadas e compromissadas com os valores do manifesto de lançamento (entre aqui para ver o manifesto e veja aqui como fazer parte).

Michele Torinelli, da Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação (CPC) e do Coletivo Soylocoporti, fez um histórico da articulação e mobilização da CPC com as organizações sociais do Paraná, que representaram o Estado na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, realizada no ano passado em Brasília. O Paraná realizou 14 pré-conferências, como as de Comunicação e Juventude e de Comunicação e Cultura. Michele destacou ainda algumas propostas aprovadas na Confecom, entre elas a que prevê a instituição de mecanismos de fiscalização dos meios de comunicação (controle social), a que defende a inclusão na Constituição Federal da comunicação como direito humano e a criação dos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional de Comunicação. Para Michele, "assim como a comunicação é um direito humano, a terra também é". Segundo ela, a Rede de Comunicadores deverá atuar em três frentes: uma estrutural, uma que fortaleça a comunicação popular e alternativa e outra que se dedique à formação de novos comunicadores e comunicadoras.

Para Aniela Almeida, do Sindicato dos Jornalistas do Paraná, os desafios da Rede são descobrir formas de fazer com que os jornalistas que atuam nos grandes veículos de comunicação do Estado se sensibilizem com as questões sociais e difundir os temas relacionados aos movimentos sociais à população em geral. Para ela, o Paraná tem um papel estratégico na atuação da Rede por ser um Estado com forte produção agrícola.

João Brant, do Intervozes (Coletivo Brasil de Comunicação), destacou dados que justificam a criação da Rede de Comunicadores. Segundo ele, 0,91% dos proprietários de terras do país (cerca de 15 mil latifundiários) concentram 43% das áreas agricultáveis. É um contraste muito grande comparado ao que se fez de reforma agrária até hoje. Nos meios de comunicação, Brant aponta que o quadro é de concentração e de um discurso em uníssono contra a reforma agrária. Por isso a importância de uma Rede que permita uma "coesão em torno de uma pauta comum e o trabalho conjunto" de comunicadores e comunicadoras. "Quando falamos em comunicadores não nos referimos apenas a jornalistas com diploma e radialistas com diploma, mas a um conjunto de pessoas que atuam em comunicação, como blogueiros, rádios comunitárias e outros meios", afirma. Para João Brant, os desafios da Rede são criar um espaço de resistência e "contra-informação" (em oposição ao que a grande mídia "informa"), e preparar os movimentos sociais para enfrentamento da CPMI da Terra.

O blog da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária é http://www.reformaagraria.blog.br. Contatos da Rede no Paraná: (41) 8835-4959 (Pedro Carrano) e 9993-0488 (Rachel Bragatto)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Conselho Distrital denuncia desmatamento em Fernando de Noronha

Fonte: Blog Ciência e Meioa ambiente

O Conselho Distrital de Fernando de Noronha, o correspondente à câmara de vereadores do lugar, mas sem o poder de legislar, encaminhou nesta terça ao Ministério Público Federal denúncia de desmatamento no bairro de Floresta Nova, ao Norte da ilha. O dossiê, ilustrado com fotos tiradas no último final de semana, segundo os conselheiros, mostra um trator abrindo caminho em meio à vegetação.

O documento também registra a ampliação do limite de uma cerca em terreno que os conselheiros dizem ter sido vendido a uma rede hoteleira portuguesa. O terreno fica na Vila da Quixaba, a Oeste da ilha, e é coberto por capim. Servia de pasto, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), antes do rebanho da ilha ser transferido para o continente por determinação judicial, em 2008.


“O dono nos informou que está limpando a área para implantar lavoura e que a expansão dos domínios da cerca não excedeu os limites da propriedade”, revela Marcos Aurélio da Silva, fiscal do Ibama em Noronha. Ele esteve no local após receber, por ofício, uma ordem de fiscalização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “Notificamos o proprietário e estamos aguardando que ele nos encaminhe a documentação comprobatória.”

Leia aqui denúncia encaminhada à Polícia Federal

Sobre a área de Floresta Nova, Marcos Aurélio disse não ter sido oficiado pelo ICMBio. A chefe do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, ligado ao ICMBio, Fabiana Bicudo, disse que está preparando a ordem de fiscalização. “Não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo”, justifica.

A Administração do Distrito Estadual de Fernando de Noronha informa que não se trata de um desmatamento, e sim de limpeza de terreno. E que autorizou a ação. “A área tem 737,86 metros quadrados, dos quais 30% serão construídos. Dos 70% restantes, seguindo orientação do Ibama, 20% serão plantados com vegetação nativa", afirma o diretor de Infraestrutura da ilha, Gustavo Araújo.

Ele disse que algumas árvores nativas foram derrubadas mas a maioria da vegetação da área é composta por linhaça, planta considerada invasora na ilha. “Já a área a ser reflorestada será com espécies nativas”, adianta.

O Ministério Público Federal informa que o procurador para quem o Conselho Distrital enviou o dossiê, Marcos Costa, está de férias e retornará nesta quinta-feira, quando poderá prestar informações.



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Cientistas manipulam dados para provar aquecimento

'Climategate'
2/12/2009

Documentos vazados revelaram fraudes no cálculo do aquecimento global. Já conhecido no mundo como “Climategate”, em referência ao caso Watergate, o vazamento mostra que cientistas diretamente ligados à Organização das Nações Unidas (ONU) estavam manipulando índices para provar que o planeta passa por um processo de aquecimento sem precedentes.

O cientista Philip Jones, um dos apontados durante o Climategate, é responsável por criar o mais importante de quatro índices que orientam políticas climáticas de nações e da ONU. Os emails vazados mostram como os cientistas que trabalham com Jones não liberavam dados importantes de suas pesquisas e fabricavam motivos para mantê-los em segredo.

Os cientistas ligados a Jones também tentavam abalar a credibilidade de qualquer pesquisador que fosse contra os resultados apresentados. Entre os pesquisadores envolvidos no Climategate, estão responsáveis por outros índices que orientam a ONU e o braço-direito do ex-vice-presidente norte-americano Al Gore.

Leia também:

Aquecimento global – Professor nega falsificação de dados

Onde foi parar o aquecimento global?

Céticos acham que frio em 2007 reforçou seus argumentos

Céticos que abalam a fé


Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/meio-ambiente/cientistas-manipulam-dados-para-provar-aquecimento/?ga=dstf1

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Escândalos invisíveis, artigo de Osvaldo Russo

A destruição de 2 hectares de um laranjal, plantado me extensa área pública da União ocupada ilegalmente por uma grande empresa privada, orquestrada pela mídia e pelos interesses do agronegócio, escandaliza.

Enquanto isso, milhares de famílias estão acampadas em beira de estradas, trabalhadores são escravizados em pleno século 21 e trabalhadores rurais, líderes sindicais, religiosos e advogados são assassinados no Brasil.


Mas isso não escandaliza.

Milhares de processos estão travados na justiça emperrando as desapropriações para fins de reforma agrária e deixando sem solução os crimes do latifúndio e de sua pistolagem.

Mas isso não escandaliza.

As denúncias sobre casos de trabalho escravo contemporâneo atingem um recorde histórico no Brasil, de acordo com o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2008″, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra, que registra 280 ocorrências no ano passado.Ao todo, os casos relatados pela CPT envolveram sete mil trabalhadores, 86 deles crianças e adolescentes, tendo havido 5,2 mil libertações.

Mas isso não escandaliza.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, de 1995 a 2002, a Fiscalização do Trabalho do ministério realizou 177 operações em 816 fazendas, lavrando-se 6.085 autos de infração. Já no período de 2003 a 2008, foram realizadas 607 operações, envolvendo 1.369 fazendas fiscalizadas, onde foram lavrados 16.981 autos de infração, o que significa um incremento anual de 272,1% em relação ao período anterior.

Mas isso não escandaliza.

O recorde nas denúncias foi acompanhado da intensificação da ação fiscalizadora do governo federal, que declarou a erradicação e a repressão ao trabalho escravo contemporâneo como prioridades do Estado brasileiro. O Plano prevê a aprovação da PEC que altera o art. 243 da Constituição Federal, dispondo sobre a expropriação de terras – sem indenização – onde forem encontrados trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão e que, em muitas situações, tentam fugir da fazenda e são impedidos pelo fazendeiro. Mas os ruralistas escravocratas reagem e impedem a sua aprovação pelo Congresso Nacional.

Mas isso não escandaliza.

Ideólogos do agronegócio escravocrata tentam explicar o injustificável, chegando a afirmar que “o principal objetivo desse trabalhador em eventual fuga da fazenda e posterior retorno trazendo a fiscalização trabalhista não seria apenas evitar o pagamento da dívida contraída com o empreiteiro, mas, talvez muito mais importante, receber a ‘multa’ de vários milhares de reais, comumente imposta pelo fiscal ao agricultor e em favor do trabalhador, sob a acusação de prática de ‘trabalho escravo’ por parte do fazendeiro. Além disso, os trabalhadores ‘libertados’ passam a receber seguro desemprego, sendo possível que, depois, passem a receber também Bolsa Família”.

Mas isso não escandaliza.

Após mais de século da assinatura da Lei Áurea, o Brasil ainda convive com as marcas deixadas pelo regime colonial-escravista e por disparates escritos por seus neoideólogos. Conforme apresentação do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, de 2003, assinada pelos então ministros Nilmário Miranda (Direitos Humanos) e Jacques Wagner (Trabalho e Emprego), “a escravidão contemporânea manifesta-se na clandestinidade e é marcada pelo autoritarismo, corrupção, segregação social, racismo, clientelismo e desrespeito aos direitos humanos”.

Mas isso não escandaliza.

Apesar do grande aumento da produção agrícola de 1975 pra cá, os ruralistas tentam impedir a atualização dos índices de produtividade da terra para fins de reforma agrária e ameaçam o governo e os sem terra com retaliações.

Mas isso não escandaliza.

Os ruralistas querem reinventar uma CPI para criminalizar o MST e intimidar o governo. Eles não querem a democracia e a justiça social. Eles querem continuar escravizando os trabalhadores rurais e impedir a reforma agrária no Brasil.

Mas isso não escandaliza.

Joaquim Nabuco, O Abolicionista, dizia que a Abolição da Escravatura era indissociável da democratização do solo pátrio. Monarquistas e republicanos não lhe deram ouvidos e a concentração das terras em poucas mãos continua escandalosa.

Mas isso não escandaliza.

Antes da Abolição, a rebeldia dos escravos escandalizava, mas o açoite neles não.

Osvaldo Russo, ex-presidente do INCRA, coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT.

* Artigo originalmente publicado no Correio da Cidadania, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

** Colaboração de Frei Gilvander Moreira, para o EcoDebate, 13/10/2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O carro elétrico fabricado no Brasil

Modelo a ser lançado pela Fiat em 2011, semelhante ao Palio Weekend, tem uma enorme bateria de cloreto de sódio, o sal de cozinha.

Ainda que bivolt (pode ser alimentado a partir de tomadas de 110 ou 220 volts) e com desempenho de cinco centavos por quilômetro rodado, o primeiro carro movido a eletricidade a ser fabricado no Brasil terá motor de apenas 38 cavalos, metade da potência de um carro de 1.000 cilindradas.

Outro fator que deve desanimar os consumidores é a autonomia da sua bateria: apenas 120 quilômetros, um quarto do que roda um carro a combustão sem precisar abastecer. Quanto ao preço, o modelo custaria R$ 150 mil se fosse lançado hoje, o triplo do que se cobra por um Palio Weekend convencional.
Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/economia/negocios/o-carro-eletrico-fabricado-no-brasil/?ga=dptf3

Palio Weekend Elétrico - O Palio Weekend Elétrico nasceu de uma parceria firmada entre a Fiat Automóveis, a hidrelétrica Itaipu Binacional e a empresa suíça KWO, além de outros colaboradores provenientes de empresas de tecnologia e instituições de pesquisa. A deliberação de fazê-lo funcionar unicamente com eletricidade é reflexo do momento que a indústria automobilística vivencia na busca por uma alternativa definitiva de energia limpa e de baixo custo.

O Palio Weekend Elétrico é totalmente movido a energia elétrica. Ele está equipado com um motor que gera potência máxima de 15 Kw (20 cv) e torque máximo de 50 Nm (5,1 kgfm). Sua energia é proveniente de uma bateria de níquel, situada no fundo do porta-malas, e sua autonomia é de 120 km.

Externamente o Palio Weekend Elétrico é idêntico às versões que são movidas a combustível líquido ou gasoso. Porém, é no interior que ele se diferencia dos demais modelos com motor de combustão interna. Ao invés da tradicional alavanca de mudanças de marchas, há um artefato do tipo joystick que pode ser posicionado em três posições – Drive, Neutro e Ré.

Fonte: http://www.mecanicaonline.com.br/especiais/2008/10/salao%2Bdo%2Bautomovel%2Bbrasil/10%2Bfiat.htm


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Evento institui setembro o mês da bicicleta

Paula Melech

Com mais de 1 milhão de veículos nas ruas, Curitiba registra cada vez mais congestionamentos, poluição e dificuldades de locomoção. Pensando em formas de melhorar a mobilidade no trânsito das cidades, artistas, ativistas e grupos que defendem meios alternativos de transporte se uniram no evento Arte Bicicleta Mobilidade e instituíram setembro o mês da bicicleta.

O período não foi escolhido à toa. Este mês acontece também a Semana Nacional do Trânsito, de 18 a 25 e o Dia Mundial Sem Carros, no dia 22, quando será realizada a "Marcha das Mil Bikes".

A série de atividades para cobrar políticas de incentivo e apoio ao uso da bicicleta inicia nesta terça-feira (1), com a terceira edição do Desafio Intermodal, para comparar os diferentes modais e comprovar qual é o mais rápido e o menos poluente.

No Desafio, serão comparados bicicleta, carro, ônibus, motocicleta, pedestres, um corredor e duas pessoas com problemas de acessibilidade. Nas duas edições anteriores, a vencedora com o menor tempo foi a bicicleta. A emissão de poluentes, tempo e gastos de cada modal são analisados por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná e do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec).

"Queremos divulgar uma cultura de mobilidade mais saudável, com o uso da bicicleta ou à pé. A cultura em cima do automóvel chegou ao limite, o planeta não está mais suportando", afirma o coordenador do programa de extensão da UFPR, Ciclovida, José Carlos Belloto.

O Ciclovida realizou cálculos mostrando que uma pessoa que mora a 10 quilômetros do trabalho e faz o trajeto de bicicleta queima 21 mil calorias por mês. Outro ponto positivo é que o ciclista deixa de emitir 96 quilos de poluentes e economiza cerca de R$ 150 mensalmente.

Confira a programação do Arte Bicicleta Mobilidade no site do evento.

domingo, 30 de agosto de 2009

Em Copenhague, 37% da população andam de bicicleta

A capital dinamarquesa é a cidade mais popular da Europa entre os ciclistas. São 350 km de ciclovias em uma cidade limpa e sem ladeiras, o que faz com que 37% das pessoas em Copenhague vão de bicicleta para o trabalho, escola ou universidade. E eles têm preferência nos cruzamentos e nos semáforos.

A cidade vai ser sede da conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, em dezembro, e quer provar para o mundo o quanto ela já é verde, além de dizer como pretende cumprir as ambiciosas metas para o futuro. Até 2015, as autoridades de Copenhague esperam que metade da população se locomova de bicicleta.

Para conseguir isso, já há uma ponte que é fechada para carros e planos para ampliar as ciclovias existentes. Também está sendo estudada a criação de um pedágio urbano para desencorajar os motoristas de carros.

A campanha conta com o apoio do príncipe da Dinamarca, que também anda de bicicleta.

"É bom para o clima, mas também para manter a forma e evitar a obesidade, um outro grave problema dos dias de hoje", diz o príncipe Frederik.

Uma pesquisa do departamento de transportes de Copenhague indica que quanto mais pessoas andam de bicicleta, mais segura é a viagem para cada uma delas. O número de ciclistas mortos na cidade caiu pela metade na última década e a maioria dos motoristas não reclama, porque eles também têm bicicletas.

Agora, com a conferência do clima acontecendo na cidade, Copenhague espera servir de inspiração para outras capitais europeias.

Assista o video

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Aprovado projeto que isenta impostos sobre instrumentos musicais importados


COMISSÕES / Educação e Cultura
18/08/2009 - 14h17


[Foto: ]

Projeto de lei que concede isenção fiscal a instrumentos musicais importados foi aprovado, nesta terça-feira (18) pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). A proposta, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ainda será examinada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), em decisão terminativa.

Pela proposta (PLS 345/06), os instrumentos importados serão beneficiados com a isenção do Imposto de Importação, bem como das contribuições aos programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

De acordo com o autor, músicos, bandas e orquestras enfrentam dificuldades para adquirirem ou renovarem seus instrumentos musicais em razão da alta incidência de impostos e contribuições. Cristovam Buarque informou, na justificação do projeto, que a carga tributária para os instrumentos fabricados no Brasil aumenta o preço final dos instrumentos em 45%. Já o preço final dos instrumentos importados, destacou, recebe ainda o impacto do Imposto de Importação (entre 10 e 18%), do PIS/Pasep-importação (1,65%) e do Cofins-importação (7,6%).

O senador Cícero Lucena (PSDB-PB) disse estar preocupado com eventual prejuízo à indústria nacional e pediu que os senadores da CAE fiquem atentos a isso. O relator do projeto na CE, senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu que as indústrias nacionais de instrumentos musicais recebam também o benefício. Já o presidente da CE, senador Flávio Arns (PT-PR), sugeriu que, na hipótese de haver equivalente no Brasil, a importação não deverá ser permitida.

Comenda

A CE aprovou também nesta terça-feira projeto de resolução (PRS 62/08) que cria a Comenda de Direitos Humanos Dom Helder Câmara. A condecoração premiará personalidades que ofereçam relevante contribuição em favor dos direitos humanos no Brasil.

O relator Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) enfatizou a atuação social e política do arcebispo emérito de Olinda e Recife (PE), acrescentando que dom Hélder teve posição firme contra a ditadura militar (1964-1985). Garibaldi também observou que o religioso sempre defendeu os menos favorecidos.

De acordo com o projeto, a comenda será conferida em sessão especial a ser realizada no mês de dezembro de cada ano, a cinco personalidades. Os nomes dos indicados, determina a proposta, serão encaminhados à Mesa Diretora até o dia 1º de agosto. A seleção dos indicados será feita por Conselho com representante de cada partido com assento no Senado.

Iara Farias Borges / Agência Senado

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Artistas defendem fãs que baixam músicas na internet

da EFE, Londres

Um grupo de músicos, formado pelo guitarrista Ed O'Brien, do Radiohead, e pelos cantores Robbie Williams, Annie Lennox e Billy Bragg criticou nesta quinta-feira (12) uma proposta que quer tornar crime o ato de baixar músicas pela internet.

Orkut perde sua maior comunidade para troca de músicas

Na noite de terça-feira (11), a The Featured Artists Coalition, que reúne mais de 140 bandas ou cantores, votou majoritariamente contra o processo judicial de fãs por esse motivo.

J. Scott Applewhite/Lindsey Parnaby/AP/Efe

Os músicos transferirão essa opinião majoritária ao secretário de Estado para as Comunicações britânico, lorde Carter, que sugeriu a possibilidade de classificar essas ações como crime, segundo informa hoje o jornal "The Independent".

Um dos músicos, Billy Bragg, declarou ao jornal que "a indústria musical não pode seguir por esse caminho" com medidas protecionistas que equivalem "a colocar a pasta de dente de volta no tubo".

"Os artistas deveriam ter o direito de poder decidir quando sua música pode ser usada gratuitamente e quando é preciso pagar por ela", disse Bragg.

A coalizão, criada para defender os direitos dos músicos no mundo digital, também quer que empresas como YouTube e MySpace remunerem os músicos quando usarem suas composições em publicidade.



Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u533491.shtml

quinta-feira, 5 de março de 2009

Dia da Música Clássica é celebrado em todo o Brasil

Aniversário de Villa-Lobos


Desenho de Bruno Liberati - Portal VivaMúsica!

Exclusivo Em 2005, profissionais do setor se reuniram para decidir o dia da celebração da música clássica. A data escolhida, 5 de março, celebra o nascimento do compositor Villa-Lobos, principal nome da música clássica brasileira. Também concorriam os aniversários de Carlos Gomes e José Maurício Nunes Garcia. Ouvintes da rádio MEC, na época, puderam participar da escolha.

O Dia da Música Clássica é oficial na cidade do Rio de Janeiro desde 2006, por decreto do prefeito César Maia. No estado, o governador do Rio, Sérgio Cabral, assinou na Assembléia Legislativa uma lei que oficializou a data. No dia 13 de janeiro deste ano, o Presidente da República instituiu, através de decreto, o dia 05 de março como o Dia Nacional da Música Clássica.

Confira a programação para hoje de música clássica no Brasil:

Comemorações no Rio de Janeiro

Na capital, as comemorações pelo 5 de março começarão cedo, às 10h. Haverá uma homenagem na Câmara Municipal, com entrega de moções de congratulação a personalidades e instituições da cena clássica carioca. A iniciativa é da vereadora Aspásia Camargo (PV).

O Museu Villa-Lobos realiza o evento “Villa-Lobos e Eu”, no qual músicos que conviveram com o patrono dos clássicos relatam suas experiências ao lado do mestre, às 14h, entrada gratuita.

No Conservatório Brasileiro de Música o dia será de portas abertas para uma “Maratona Clássica”, com seis horas de concertos e palestras gratuitos.

O filme “Villa-Lobos – Uma vida de paixão”, de Zelito Viana, será exibido no
Centro Municipal de Referência da Música Carioca, às 15h. O evento é gratuito. A programação do mês, que vai do dia 5 ao 26 de março, terá Villa-Lobos como tema de todos os concertos e filmes.

Sala Baden Powell (às 20h30), Série Música no Museu e Igreja da Candelária (ambos às 18h30) também realizarão concertos especiais pelo Dia da Música Clássica.

Será realizado um evento musical na estação Central do Brasil, a partir das 17h. O evento, uma “intervenção musical” com o Quinteto Villa-Lobos, tem como idéia apresentar meia hora de música clássica no saguão do “Espaço Cultural Fernanda Montenegro”.

O VivaMúsica! reverencia Villa-Lobos na Confeitaria Colombo com o Duo Milênio às 12h15 no mesmo local onde Villa-Lobos ganhava a vida como violoncelista antes da fama. Confeitaria Colombo: Rua Gonçalves Dias, 32 - Centro. Grátis.

O Centro Cultural Banco do Brasil, que fica na Rua Primeiro de Março, no Centro, terá apresentação da PianOrquestra, ao 12h30.

Comemorações em São Paulo

Osesp abre temporada com seu novo maestro, Yan Pascal Tortelier. Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Yan Pascal Tortelier, regente. Sala São Paulo - Pça. Julio Prestes, s/n – Luz. Tel.: (11) 3367-9500. R$ 30 a R$ 104. Há meia-entrada para estudantes e idosos.

No CCSP haverá Concerto ao meio-dia na Sala Adoniran Barbosa. 5 de Cordas com: Luiz Amato e Mauricio Takeda (violinos), Newton Carneiro (viola), Adriana Holtz (violoncelo) e Gê Côrtes (contrabaixo). Entrada franca (a bilheteria será aberta com duas horas de antecedência).


Comemorações no Nordeste

Para comemorar o primeiro ano da nova data, o Governo do Estado, através da Fundação José Augusto, realiza o evento “Música Clássica: um direito de todos”. Nesta quinta-feira, as portas do Teatro Alberto Maranhão estarão abertas, gratuitamente, para apresentar 10 atrações do cenário da música clássica potiguar.

Comemorações no Centro-Oeste

A Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande realiza às 20 horas, no Museu Dom Bosco, no Parque das Nações Indígenas, no Mato Grosso do Sul, concerto especial com convidados em homenagem ao compositor Villa Lobos. Além de Villa Lobos, o concerto terá também obras de Georges Bizet, Guerra Peixe, Antonio Vivaldi e Piotr Tchaikovsky.

Daniele Carvalho -http://www.opiniaoenoticia.com.br/interna.php?id=22391

segunda-feira, 2 de março de 2009

O Iluminar da Nova Bolívia


Chuquiagu Marka (La Paz) , Qullasuyu (Bolívia), 25 de Janeiro de 2009




Por Álvaro Zarate Huayta



De seus antepassados roubaram-lhes até a alma. A seus tataravós encerraram nas minas de prata e estanho para acabar com sua memória e sua cultura. A seus bisavôs e bisavós converteram em serventes nas fazendas, em criados dos patrões. Seus avós foram usados em uma luta que não era a sua: a Guerra Federal e a do Chaco. Seus pais conquistaram com suas vidas a Democracia que depois os aniquilou até outubro de 2003. Durante séculos silenciaram seu pensamento, depreciaram suas línguas, sua história; tentaram apagar sua memória para apagá-los do mapa. Agüentaram em silêncio. Viveram como “seres inferiores”, sem o serem, e viveram como inquilinos em suas próprias terras. Sendo herdeiros naturais, jamais exerceram o poder, nem se beneficiaram dos frutos de suas terras. Depois de séculos de humilhação, finalmente são visíveis, voltaram e são milhões.


Antes que Evo Morales fosse juramentado como novo mandatário da Bolívia, os setores conservadores e racistas não lhe prognosticavam uma boa gestão e apostavam que seu mandato duraria alguns meses. Não obstante, já estamos a três anos de governo do Presidente Evo Morales e o processo de transformação avança irreversivelmente. São importantes as medidas adotadas pelo governo nos quatro pilares do Plano Nacional de Desenvolvimento: Bolívia Digna, Bolívia Democrática, Bolívia Produtiva e Bolívia Soberana. Na atual conjuntura, tenta-se consolidar os alicerces de uma Nova Bolívia: uma Nação Includente, Democrática, Indígena Andina Amazônica e, sobretudo, com valores profundamente Humanistas, nascidos na Pluralidade das Nações.


Por quê?

Não houve uma participação efetiva da maioria indígena. A política era patrimônio exclusivo da casta crioula mestiça, que jamais tentou construir uma Bolívia pujante e com dignidade. Viviam das dádivas que lhes lançavam as multinacionais e os grupos de poder externos. Por isso, os indígenas e mestiços, os chamados “cholos”, empobrecidos, decidiram acabar com esta ordem colonial das coisas e caminhar rumo a uma sociedade onde todos sejam iguais e ninguém valha mais pela cor da pele, pelo sobrenome, pela crença religiosa e/ou pela ideologia que professa.


Como conseguir isso?

Através da Assembléia Constituinte que iniciou suas deliberações em agosto de 2006, e desde o inicio foi acossada pelos setores conservadores e racistas agrupados nos Comitês Cívicos e nas sedes de governo departamentais (estaduais) do oriente da Bolívia. Estas entidades, mais os partidos tradicionais neoliberais, então minorias na Assembléia, apresentaram uma seria de artimanhas para que aquela fracassasse, entre elas propor que a nova carta magna deveria ser aprovada por dois terços dos constituintes. Os representantes do Movimento ao Socialismo (MAS) e outras agrupações surgidas do povo foram tolerantes, e, superado este obstáculo, os setores minoritários e conservadores colocaram sobre o tapete o artifício da capitalidade da Bolívia: que a Assembléia trasladasse a capital de La Paz (Norte) a Sucre (Sul), com o que revolveriam velhas cicatrizes que, em 1898, havia originado a chamada Guerra Federal entre sulistas e nortistas, permitindo a La Paz constituir-se em sede de governo e a Sucre como a Capital histórica. Ante a obstinação dessa minoria conservadora que controla os meios de comunicação, os movimentos sociais, povos indígenas e setores populares, tinham que confiar em sua própria força, em que pese os inúmeros obstáculos.


Os Excluídos assumem o poder

Pude vê-los em Sucre, a capital de séculos de racismo e exclusão que sempre depreciou esta identidade multiétnica e pluricultural. Em Oruro, na Constituinte, os escutei, pela primeira vez, falar do país que querem, de suas terras, do futuro que sonham para seus filhos e netos. Pude vê-los com seus aguayos (tecido estampado colorido), seus ajsus (espécie de bata feminina), suas polleras (saias usadas pelas mulheres nativas), seus ponchos de diferentes cores, suas abarcas (espécie de alpargatas), seus rebozos (espécie de mantilha), seus chapéus de copa, os vi como levantavam a mão. Por fim, tiveram voz os silenciados, os considerados “seres inferiores”, os invisibilizados, os relegados, os humanos sem futuro, sem ser, sem saber que os outros não conheciam o que eles conhecem. Escutei a Presidenta da Assembléia Constituinte, Silvia Lazarte, com sua voz autoritária, pedindo que baixassem e levantassem a mão para aprovar ou reprovar cada artigo da nova Constituição Política do Estado. Pude ouvi-la expressar sua paixão ilimitada pela Bolívia. Escutei suas vozes, sei como soam, sei o timbre que têm, são roucas e agudas.


Antes, somente escutava suas vozes confinadas em suas canções, em seu folclore, como o chamam os “cultos”. Foi a primeira vez que os escutei falar do país que querem, do futuro possível. Romperam seu silencio e recobraram sua memória. Possivelmente estão equivocados. Têm o direito de equivocar-se. Por acaso os outros, os autodenominados democratas, não se equivocaram durante séculos?

Os sensíveis defensores do protocolo criticam suas formas, sua vestimenta, suas palavras, seus acullicos (efeito de mascar “bolo” de folhas de coca), suas idéias. Julgam-nos a partir de sua própria cultura, a partir de seu etnocentrismo. Desqualificam-nos a partir de suas próprias regras, a partir de suas próprias leis, a partir de suas dezesseis constituições, a partir de seu conforto político, a partir de sua ideologia. Possivelmente têm razão em suas críticas, mas não em seu menosprezo.


Nas deliberações da Assembléia Constituinte em Sucre, universitários gritavam: “índios fora desta cidade”, manifestando seu racismo que permanecia latente, apesar dos ares modernos e civilizatórios que eles dizem defender. O racismo está na ordem do dia na Bolívia. Em meados de dezembro de 2007, o prefeito de Santa Cruz, Percy Fernández, sinalizou que o governo de Evo Morales quer o poder para toda a “indianada”. O governador Rubén Costas tipificou o presidente venezuelano como “macaco maior”, numa clara alusão a que o presidente Boliviano era o “macaco menor”; em tempos coloniais anteriores, os colonizadores consideravam o índio como um homúnculo, bárbaro, selvagem, besta, macaco. Os descendentes desses colonizadores, também de espírito colonial, chamam agora de macaco, ao índio que emerge para transformar esta sociedade racista e discriminadora.


“O que não salta é lhama!” ouvia-se nas ruas de Sucre, animalizando os indígenas. Se o que não salta é lhama, o que salta é o quê? Talvez uma pessoa que ainda imagina, nos dias atuais, ter em suas veias “sangue azul”, diferente dos demais mortais. O desprezo, porém, não é somente pela natureza humana, como também pela natureza animal, sem sequer reflexionar que todos os seres humanos somos extensão no tempo e espaço, da mesma natureza animal à qual nossa “classe intelectual” despreza. “A Ciência, depois de estudar o ácido desoxirribonucléico (ADN) do ser humano, concluiu que os macacos são nossos parentes. E mais, a mesma ciência diz que as ratazanas são também familiares porque sua composição genética é quase idêntica, em 99%, aos genes de Rubén Costas, Hugo Chávez, Evo Morales, Nelson Mandela, você, ele, ela, nós e, inclusive, eu.” (La Prensa: 29/10/07). E a lhama? Ocorre que uma das personagens míticas indígenas na Colônia foi uma lhama que se converteu em ser humano para escapar dos colonizadores. Tal personagem, na literatura aymara/ quéchua é conhecida como Pedro Ultímala. Quando os colonizadores lhe perguntavam seu nome, ele dizia chamar-se “Lhama-lhama” e de sobrenome “wallpa-jama” (esterco de galinha). O “Lhama-lhama” tem inúmeras aventuras nas quais ressalta o ser indígena e ridiculariza a conduta e pensamento do colonizador.


Os ecos das vozes indígenas persistem, retumbam em cada rincão, nas casas de adobe e nas choupanas. Viajarão pelo tempo, serão ouvidos os que vêm e os que esperam sua vez para ser parte do país, da Bolívia usurpada por aqueles que a querem como sua propriedade privada e não como propriedade pública. Os escutamos, finalmente, falar de seu país, os vemos aprovar uma Constituição, fizeram o mesmo que os “doutorzinhos” em 1926; e pariram “uma República sem índios nem mulheres”. Eles e elas, que viram, durante séculos, sua sorte ser decidida do outro lado, saltaram, agora, a este lado e são protagonistas. Quinhentos anos depois, darão à luz e iluminarão uma Nova Bolívia Multicultural, Includente, Comunitária, Plural, Pacifista, e Humanista. Retornou-se o tempo de harmonia e equilíbrio e Bolívia é um exemplo de dignidade coletiva. A Assembléia Constituinte concluiu seu trabalho satisfatoriamente. No final de dezembro de 2007, em Oruro, foi aprovada.


Faltava, todavia, a aprovação no Congresso e foi necessário uma Marcha Histórica encabeçada pelo Presidente Evo Morales, onde milhões de vozes e rostos, até então clandestinos, pediam a aprovação por parte do Congresso de um texto compatibilizado entre a Assembléia Constituinte e o Congresso. Milhões de pessoas chegaram ao Centro de Poder, vigiando a sessão que se realizava no Congresso. Nesta ocasião, pude ver a fortaleza e o carinho desmedido destas maiorias indígenas populares, pois não era, como acusavam os meios de comunicação, uma “Constituição MASista”, e sim do povo de Bolívia, da maioria discriminada, que dormiu e amanheceu na Praça Murillo. O Presidente Evo Morales, inclusive, ficou com o povo por toda a noite. Ao meio-dia se deu o acordo e o Congresso havia aprovado um texto compatibilizado, com muitas reformas, mas com a definição da data para realização da consulta popular, através de um referendo, onde se questionaria a aprovação, ou não, da nova carta magna: 25 de Janeiro de 2009.


AMANHECEU NA METADE DA NOITE: ESPERANDO O JACHA URU DEL PACHAKUTI [1]


25 de Janeiro de 2009. – Desde as primeiras horas, coloco, como todo apaixonado da mais universal das paixões, minha velha camiseta xeneize[2], que é o manto sagrado, minha segunda pele, com as cores da alma, o outro peito; E, por dentro, minha camisa do Che e uma bolsa de aguayo andino que me trazem à lembrança o cheiro de minha terra. O grito de liberdade de quinhentos anos se produziria na Bolívia, essa era a questão...

Na Bolívia se iniciam as eleições mais difíceis de sus história republicana, um resultado que ninguém, sequer as pesquisas sabiam o que sucederia. Dias antes, a Igreja Católica expressava que se havia de votar por Deus ou por Evo, que era uma Constituição que desconhecia a fé verdadeira de Deus, que o novo Estado perseguiria os justos, coisa para os hereges Pachamamicos. Isto me fez recordar a época da Santa Inquisição Católica Apostólica Romana e Espanhola que aniquilou, exterminou e assassinou mais de cinqüenta milhões de indígenas, no maior genocídio da Historia, em nome de um Deus que agora exigia um voto para manter seus privilégios, historia comum em quinhentos e dezessete anos de colonialismo e cento e oitenta anos de vida republicana. Agora, os bolivianos disputávamos no campo eleitoral, o direito de existir, talvez pela primeira vez em quinhentos anos. Nas ruas se produziam enfrentamentos daqueles que perderiam privilégios nas praças de classes acomodadas e “gente de bem” contra os índios selvagens que não têm temor a Deus. Era a Ordem estabelecida querendo manter o “Estado das Coisas”.


Com a aprovação da Nova Constituição, fica para trás o Estado colonial, estes orgulhosos filhos desta terra andino-amazônica, que com sua resistência e seu esforço, com a aprovação desta Constituição nas urnas, deixaram para trás e enterraram na Historia, séculos de exclusão, de racismo e discriminação, séculos de desprezo por esta identidade multinacional e pluricultural.

Mas esta noite quem joga é a lembrança dos sonhadores, mais de 60% disse SIM à Nova Constituição e um percentual similar votou pela eliminação do latifúndio de mais de 5000 hectares como a área máxima de posse de terra. Certos sentimentos que nunca se sabem se são vivos ou se estão mortos, me lembro nestas horas das ruas de La Paz, todas as janelas onde cantores noturnos cantam o amor a este novo estado e com a consolidação de trinta e seis nações, em convivência harmônica entre todos. Isto não é uma elegia, é um romance e uma ação de graças por dar paixão aos meus anseios, me lembra o mundo de adolescente, um sonho, a maldição, a blasfêmia de um continente... Nas ruas de La Paz, eu estava a ponto de viver o epíteto político de minha geração.

No mundo andino-amazônico não existe a conceituação de “estranho”, mas sim que todos são uma mesma família, pois concebem cada parte do universo como importante. Nestes quinhentos anos, os homens europeus e ocidentais nos diziam que o homem “é o rei da criação” e pensou que tinha o direito de fazer e desfazer o que encontrar em seu caminho, entendendo que somente ele era importante, quando, na realidade, todos fazemos parte de um todo, onde a falta de uma parte causa desequilíbrio. Constitucionalizou-se a visão de nossas nações como entendemos o mundo e como se expressam as sociedades nos Andes. Nossa sociedade tem características milenares próprias e originárias. Nossos ancestrais tinham uma visão cósmica do universo, do céu o pachakama ou pachatata e a força telúrica da terra “a pachamamae da união destas energias se gera toda forma de existência e converge o processo da vida.


O homem andino, ou o equivocadamente chamado “Índio” vem a ser a síntese de ambas energias. É o poente, o centro taypi da força cósmica e telúrica. Seu mundo tem múltiplos planos e significados, tanto de tempo como de espaço, pois introduz em sua vida comum o universo que o rodeia e supera a natureza não a transformando ou a destruindo como o homem ocidental, mas tendo a capacidade de participar ativamente com ela. Une-se e desenvolve-se com ela em harmonia e equilíbrio com seu universo. O homem andino acredita na harmonia, equilíbrio e igualdade de todos. Crê na união e na convergência das duas forças dentro de sua mesma sociedade, dentro das duas forças, o “chacha – warmi” (homem e mulher) forma o “jaque” (união, par primordial, dualidade perfeita), o que se referirá como a complementaridade do casal na sociedade.

O processo mais importante para o desenvolvimento do país e de todos os bolivianos é a identificação coletiva, ou encontrar a alma do povo da nação. Na comunidade todos têm que estar protegidos pelas instituições andinas “ayllu e ayni” . São instituições que nos unificam. O ayllu constitui um retorno à memória coletiva ancestral, é viver em harmonia e equilíbrio. E isto não é um fator biológico racial, mas sim o fato de começar a sentir pelos demais, trata-se de um processo consciente, sem tempo, sem idade, sem lugar. É a consciência do ayni, o chamado da Mãe Terra, tão forte e que se tem feito sentir nestes dias tão duros que nos impele a viver o mundo e assumir este desafio com a história. Devemos reconhecer e fazer respeitar esta forma de ver o mundo e entender a vida, a sabedoria e força ancestral forjada e mantida por gerações. Entender esta historia ancestral não é somente uma retrospeção do passado, mas sim compreender a dinâmica da vida presente e do futuro da nação, é recuperar os valores eternos da vida e a alma dos povos originários.

A Whiphala (bandeira andina) é símbolo da nação. Nas autonomias indígenas são reconhecidos princípios filosóficos como o “Suma Qamana”(Viver Bem). A trilogia “ama sua ama lulla ama quella” (“Não seja ladrão, não seja mentiroso, não seja frouxo”) são princípios supremos do Novo Estado. Nos tornamos, juntamente com Suíça e Costa Rica, o terceiro estado do mundo que renuncia à guerra. Trataremos de eliminar e sancionar a toda classe de violência. Renunciou-se, inclusive, a violência legal do Estado, estabelecendo-se a Cultura da Vida e do Diálogo.


É fundamental o processo que encabeça o Presidente Indígena Evo Morales Ayma. Não apenas para a Bolívia como para o mundo inteiro que está doente de racismo, ainda que isto siga sendo uma enfermidade que raramente é confessada por nossos governos. A Bolívia é parte de mim. Está em mim, por onde eu vá, por onde eu ande, porque está em meus sonhos de construtor e de ideólogo. O mundo inteiro padece de uma ditadura do medo que emite gases paralisantes, um medo de recordar, de viver, de ser mais humano, sobretudo, medo de ser, de nos reconhecermos em toda nossa esplêndida e poderosa plenitude. Nossos países nasceram condenados a uma sorte de fatalidade do medo que nos impede de nos vermos como somos e como podemos ser. O que aconteceu na Bolívia nos mostra que esse medo de ser o que podemos ser, não é um inimigo invencível; o racismo não é uma fatalidade do destino, não estamos condenados a repetir a historia. Nos treinaram a andar em cadeira de rodas e, agora, estamos recuperando a possibilidade e a energia na América Latina, para poder caminhar com nossas próprias pernas, pensar com nossas próprias cabeças e sentir com nossos próprios corações. Todas as constituições latinoamericanas foram feitas “por poucos e para muito poucos, e geraram nações onde as maiorias estavam e seguem sendo malditas”. O mundo atual se divide, sobretudo, “entre indignos e indignados, e já se saberá de que lado cada qual quer ou pode estar”. Este é o Preâmbulo do Jacha Uru, o Grande Dia que vai chegar e que será de alegria. Viva, desperta esta nova Bolívia, que viva o iluminar desta Bolívia possível, que viva o nascimento de outro mundo possível. Por isto, a Bolívia é importante para o mundo, “é um ato de dignidade coletiva”. A poucos dias, porém, do nascimento do sol que anuncia o “Novo Pachakuti”, a maldição e a blasfêmia de um continente estão por terminar, pois em quinhentos anos, a dor e o sofrimento terminou e agora começamos a construir uma Nova Nação.


Tradução: Wilson dos Santos


[1] Jacha uru Del Pachakuti: O grande dia do Pachakuti - despertar de uma nova consciência, sincronizada com as energias revitalizadoras da Pachamama (Mãe Terra) e Viracocha (Pai Sol).

[2] Xeneise – Significa Genovês. Apelido para o time do Boca Juniors, devido à origem de seus fundadores.

domingo, 1 de março de 2009

Rádio Clube tem novo programa

Pernambuco -

Em formato ousado, Rota da Madrugada será apresentado pela jornalista Rose Maria


Estreia, nesta segunda-feira, o programa da Rádio Clube AM (720 KHz), Rota da Madrugada. A atração, que será

Rose Maria será âncora de noticiário policial a partir de segunda-feira. Foto: Teresa Maia/DPD.A Press - 13/2/08
apresentada pela jornalista Rose Maria, 42 anos, apostará em um novo formato de programa policial. Mais longo, com três horas de duração (das 4h às 7h, de segunda a sexta-feira), abrirá espaço para mais interação com o público, além do compromisso de trazer notícias quentes direto das delegacias e da Justiça. "O programa não terá só notícias factuais. Vamos trazer profissionais especializados para dar dicas de segurança e entrevistas com autoridades, com um viés para a comunidade", explicou Rose Maria.

No programa de abertura, um dos entrevistados será o secretário estadual de Defesa Social, Servilho Paiva, que irá entrar ao vivo para falar sobre segurança pública. Dividido em seis blocos, o Rota da Madrugada também abrirá espaço para a interiorização da notícia. Três correspondentes (Zona da Mata, Agreste e Sertão) irão repassar os últimos acontecimentos do interior do estado. A equipe contará, ainda,com dois repórteres na redação da rádio para apurar fatos da madrugada.

Ao todo, serão seis pessoas, além do produtor e motorista, que juntos vão trabalhar muito para dar um diferencial ao ouvinte. "Queremos que as pessoas, ao ouvirem o programa, saiam de casa bem informados, mas também conscientes de que a violência pode ser resolvida", disse Rose, que terá o apoio do locutor Rinaldo Silva.

Com longa experiência na cobertura de fatos em segurança pública por cerca de 25 anos, dos quais nove foram dedicados às funções de pauteira e repórter do caderno Vida Urbana, do Diario de Pernambuco, Rose Maria ficou conhecida também pelo carisma na rádio. Há 4 anos, ela fazia flashes ao vivo pela manhã para a rádio Clube AM. Hoje sua voz é sinônimo de seriedade e credibilidade junto ao ouvinte. Parceria que, agora, ganha novo fôlego. "Rose Maria trará um conceito ousado de reportagem policial. Será um programa de utilidade pública, que ajudará a elucidar muitos casos, além de abrir espaço para a participação do público", afirmou o diretor das rádios Clube AM e FM, Léo Gangana.

O público, aliás, será o convidado de honra do programa. Segundo Rose Maria, as linhas de telefone estarão abertas o tempo todo, enquanto o programa estiver no ar. Os ouvintes terão a chance de fazer críticas, dar sugestões e denunciar todo tipo de injustiça. O objetivo, conta Rose, é despertar no público a cultura de paz. Para isso, haverá ainda promoções, com sorteio de camisas de entidades que lutam pela não-violência, além de entrevistas sobre o tema. "É preciso enfatizar que a gente trabalha com a questão da violência pública, mas não compactua com ela. Uma das propostas será divulgar campanhas de paz", antecipa.

Rose Maria espera dar continuidade à missão de informar a população sobre os principais fatos da cidade. "Meu trabalho é reconhecido pela seriedade com que trato os assuntos polêmicos. Espero que eu possa ajudar as pessoas e o aparelho de segurança pública do estado a combater a impunidade, que é a grande geradora da violência que existe em nosso estado", declarou.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Restaurante em Londres deixa cliente pagar quanto quiser

Maria Luisa Cavalcanti

Peter Ilic, dono do restaurante Little Bay

O dono, Peter Ilic, espera que alguns clientes não paguem (Foto: Divulgação)

Um restaurante de Londres descobriu uma maneira inusitada de aumentar a clientela durante o atual período de crise econômica: deixar que cada um pague o valor que achar justo pela refeição.

A promoção do restaurante Little Bay, no bairro central de Farringdon, vai valer durante todo o mês de fevereiro e só não vai incluir as bebidas consumidas, pelas quais o cliente terá de pagar integralmente.

"As pessoas estão com medo de gastar dinheiro, e muitos restaurantes estão perdendo clientes", diz Peter Ilic, proprietário do Little Bay, à BBC Brasil. "Creio que esta iniciativa não só vai manter minha clientela, mas também atrair aqueles mais endinheirados que pararam de ir a restaurantes caros."

Ele diz esperar que apenas uma pequena parcela dos clientes acabe não pagando nada pelo que comer. "Não importa, pois instruí os funcionários a tratar todo mundo da mesma maneira", promete.

Lucro

Segundo Ilic, muitos clientes pagam bem mais do que normalmente é cobrado pelos pratos do cardápio.

"Nós começamos a promoção no domingo. Neste dia, todo mundo pagou e ainda pagou mais do que os pratos custam. Ou seja, já comecei no lucro", conta.

"Trabalho com uma expectativa média, então não serei prejudicado se algumas pessoas não pagarem."

Ele afirma que ganhou mais clientes recentemente porque seu restaurante "já apresentava uma boa relação qualidade/preço".

Normalmente, uma refeição no Little Bay custa uma média de 25 libras (cerca de R$ 82) por pessoa.

O restaurante recebeu notas em torno de 9 nos mais populares websites de roteiro gastronômico da Grã-Bretanha, onde os próprios clientes fazem a avaliação e os comentários sobre os estabelecimentos.

A idéia de deixar o cliente decidir o quanto quer pagar não é nova em Londres: nos anos 80, o próprio Ilic teve um restaurante no norte da cidade que funcionava com o mesmo princípio.

sábado, 31 de janeiro de 2009

O Obama está matando a pau

Enviado pela Marucia Cabral:

29/01/2009 - 13h43
Obama assina lei que iguala salários entre homens e mulheres
da Folha Online

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou nesta quinta-feira sua primeira lei, o histórico Ato Lilly Ledbetter, que promove igualdade de pagamento entre homens e mulheres. O tema é polêmico no Congresso americano e enfrenta oposição dos republicanos conservadores.

"É muito simbólico que o primeiro projeto de lei que assino fale de um dos princípios fundadores deste país; que somos todos iguais e que cada um pode perseguir a sua própria versão de felicidade", disse Obama, retomando um tema que marcou seu primeiro discurso após a posse. "Estas palavras escritas em um papel há 200 anos indicam o entendimento moral que temos que ter atualmente."

Lilly Ledbetter, que dá nome ao projeto de lei, é supervisora da fábrica de pneus da Goodyear Tire & Rubber, em Gadsden, Alabama. Ela processou a empresa por discriminação de pagamento pouco antes de se aposentar, após 19 anos de serviço. Ledbetter ganhava US$ 6.500 a menos que o supervisor com menor salário e alegou que foi decisão de seus supervisores que não ganhasse mais.

Em 2007, a Suprema Corte dos EUA votou, por 5 votos contra 4, por recusar o pedido de indenização de US$ 360 mil, alegando que ela demorou tempo de mais para iniciar o processo. A legislação americana afirma que os trabalhadores têm 180 dias a partir da discriminação para abrir um processo.

"Ela fez seu trabalho por quase duas décadas antes de descobrir que ganhava menos que colegas homens. Ela teve perdas de U$ 200 mil em salário e ainda mais em pensão e benefícios sociais, perdas com as quais ela arca até hoje", disse Obama, acompanhado por Ledbetter.

"Ela poderia ter ignorado [a diferença], ela poderia ter evitado toda a pressão e o assédio por levar adiante um processo. [...] Mas ela decidiu entrar em uma jornada de dez anos até a Suprema Corte e até chegar a este momento para efetivar a justiça que as pessoas merecem", continuou o presidente, que contou conhecer pessoalmente Ledbetter, que discursou na Convenção Democrata Nacional em 2008, que oficializou a candidatura de Obama à Casa Branca. Ao assinar a lei, Obama entregou a caneta a Ledbetter, como símbolo da sua conquista.

Durante a campanha presidencial, o republicano John McCain foi criticado por dizer que o ato causaria um aumento no número de processos de mulheres contra seus empregadores. Em abril do ano passado, os senadores republicanos vetaram o projeto de lei com 56 votos contras e 42 a favor. Seriam necessários 60 votos para que o projeto avançasse para debate e votação oficial.

"Ela sabe que a história não é só dela, mas de todas mulheres que ganham US$ 0,75 quando um homem ganha US$ 1 e ainda menos do caso das mulheres negras. [...] Igualdade de pagamento não é um tema de mulheres e sim de família. A família que [pela desigualdade de pagamento] não tem dinheiro para educação, famílias que dependem disso para pagar a hipoteca ou não, pagar as contas médicas ou não", disse Obama, acrescentando que, em tempos de crise econômica, os trabalhadores americanos não podem arcar com salários menores por discriminação.

O democrata lembrou da história de sua avó, que trabalhava em um banco no Havaí e sustentava ele e sua meia-irmã. "Assino esta lei em honra a ela e mulheres como ela, como minha avó, que trabalhou no banco a vida inteira e mesmo quando atingiu o teto de vidro continuou indo para dar o melhor para mim e minha irmã", disse o presidente. "Para minhas filhas, para que elas tenham oportunidades que sua mãe e avós não imaginavam ter."


Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-obama-esta-matando-a-pau/