quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pacote de poesia

O vento

Se a gente jogar uma pedra no vento
Ele nem olha para trás.
Se a gente atacar o vento com enxada
Ele nem sai sangue da bunda.
Ele não dói nada.
Vento não tem tripa.
Se a gente enfiar uma faca no vento
Ele nem faz ui.
A gente estudou no Colégio que vento
É o ar em movimento.
E que o ar em movimento é vento.
Eu quis uma vez implantar uma costela
No vento.
A costela não parava nem.
Hoje eu tasquei uma pedra no organismo do vento.
Depois me ensinaram que vento não tem
Organismo.
Fiquei estudado.

Poemas Rupestres, p. 37
Manoel de Barros

Pacote de Poesia é uma homenagem do Paço da Liberdade SESC Paraná a grandes poetas da literatura brasileira.

Pegue o seu lá, é grátis!
Nesse mês será o pacote de Alice Ruiz

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Escândalos invisíveis, artigo de Osvaldo Russo

A destruição de 2 hectares de um laranjal, plantado me extensa área pública da União ocupada ilegalmente por uma grande empresa privada, orquestrada pela mídia e pelos interesses do agronegócio, escandaliza.

Enquanto isso, milhares de famílias estão acampadas em beira de estradas, trabalhadores são escravizados em pleno século 21 e trabalhadores rurais, líderes sindicais, religiosos e advogados são assassinados no Brasil.


Mas isso não escandaliza.

Milhares de processos estão travados na justiça emperrando as desapropriações para fins de reforma agrária e deixando sem solução os crimes do latifúndio e de sua pistolagem.

Mas isso não escandaliza.

As denúncias sobre casos de trabalho escravo contemporâneo atingem um recorde histórico no Brasil, de acordo com o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2008″, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra, que registra 280 ocorrências no ano passado.Ao todo, os casos relatados pela CPT envolveram sete mil trabalhadores, 86 deles crianças e adolescentes, tendo havido 5,2 mil libertações.

Mas isso não escandaliza.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, de 1995 a 2002, a Fiscalização do Trabalho do ministério realizou 177 operações em 816 fazendas, lavrando-se 6.085 autos de infração. Já no período de 2003 a 2008, foram realizadas 607 operações, envolvendo 1.369 fazendas fiscalizadas, onde foram lavrados 16.981 autos de infração, o que significa um incremento anual de 272,1% em relação ao período anterior.

Mas isso não escandaliza.

O recorde nas denúncias foi acompanhado da intensificação da ação fiscalizadora do governo federal, que declarou a erradicação e a repressão ao trabalho escravo contemporâneo como prioridades do Estado brasileiro. O Plano prevê a aprovação da PEC que altera o art. 243 da Constituição Federal, dispondo sobre a expropriação de terras – sem indenização – onde forem encontrados trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão e que, em muitas situações, tentam fugir da fazenda e são impedidos pelo fazendeiro. Mas os ruralistas escravocratas reagem e impedem a sua aprovação pelo Congresso Nacional.

Mas isso não escandaliza.

Ideólogos do agronegócio escravocrata tentam explicar o injustificável, chegando a afirmar que “o principal objetivo desse trabalhador em eventual fuga da fazenda e posterior retorno trazendo a fiscalização trabalhista não seria apenas evitar o pagamento da dívida contraída com o empreiteiro, mas, talvez muito mais importante, receber a ‘multa’ de vários milhares de reais, comumente imposta pelo fiscal ao agricultor e em favor do trabalhador, sob a acusação de prática de ‘trabalho escravo’ por parte do fazendeiro. Além disso, os trabalhadores ‘libertados’ passam a receber seguro desemprego, sendo possível que, depois, passem a receber também Bolsa Família”.

Mas isso não escandaliza.

Após mais de século da assinatura da Lei Áurea, o Brasil ainda convive com as marcas deixadas pelo regime colonial-escravista e por disparates escritos por seus neoideólogos. Conforme apresentação do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, de 2003, assinada pelos então ministros Nilmário Miranda (Direitos Humanos) e Jacques Wagner (Trabalho e Emprego), “a escravidão contemporânea manifesta-se na clandestinidade e é marcada pelo autoritarismo, corrupção, segregação social, racismo, clientelismo e desrespeito aos direitos humanos”.

Mas isso não escandaliza.

Apesar do grande aumento da produção agrícola de 1975 pra cá, os ruralistas tentam impedir a atualização dos índices de produtividade da terra para fins de reforma agrária e ameaçam o governo e os sem terra com retaliações.

Mas isso não escandaliza.

Os ruralistas querem reinventar uma CPI para criminalizar o MST e intimidar o governo. Eles não querem a democracia e a justiça social. Eles querem continuar escravizando os trabalhadores rurais e impedir a reforma agrária no Brasil.

Mas isso não escandaliza.

Joaquim Nabuco, O Abolicionista, dizia que a Abolição da Escravatura era indissociável da democratização do solo pátrio. Monarquistas e republicanos não lhe deram ouvidos e a concentração das terras em poucas mãos continua escandalosa.

Mas isso não escandaliza.

Antes da Abolição, a rebeldia dos escravos escandalizava, mas o açoite neles não.

Osvaldo Russo, ex-presidente do INCRA, coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT.

* Artigo originalmente publicado no Correio da Cidadania, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

** Colaboração de Frei Gilvander Moreira, para o EcoDebate, 13/10/2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Escutatória

"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciados cursos de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiros que ... não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio Alberto Caeiros: não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade...

A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor. Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração. É preciso ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é sempre muito melhor...

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos!

Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as ideias estranhas.

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela Revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo silêncio.

Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar em seguida seria desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos. Pensamento que ele julgava essenciais. São-me estranhos, é preciso tempo para entender o que o outro falou.

Se eu falar logo a seguir, são duas possibiidades.

Primeira: fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminassse a sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.

Segunda: ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre ela.

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior do que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. E assim vai a reunião.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência. Ele se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras. No lugar em que não há palavras. A música acontece no silêncio.

A alma é uma catedral submersa.

No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a gente fica de boca fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos dos falatórios e dos saberes filosóficos, ouvimos a melodia que não havia. Que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isso: a beleza que se ouve no silêncio.

Daí a importância de saber ouvir o outro - a beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro se junta com a beleza da gente num contraponto".

Rubem Alves

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cicle Cine - Cinemateca de Curitiba - 09/09/09

Nesta quarta-feira tem o Cicle-cine na Cinemateca. Produções independentes de curta-metragem.

O Cicle-cine integra o festival anual Arte Bicicleta Mobilidade, que este ano completa 3 anos. A idéia é reunir a produção cultural que gira em torno da mobilidade, num movimento que pretende mudar a forma como as pessoas vêem a ocupação dos espaços públicos. Os Filmes selecionados para esta edição corroboram nesta tomada da cidade, apresentando os documentos desta conquista. As diversas atividades estão acontecendo em toda a cidade durante todo o mês, culminando na ‘Marcha das Mil Bikes’ no dia 22 de setembro, início da Primavera e o Dia Mundial Sem Carro.











Fonte: http://transportehumano.wordpress.com/2009/09/06/cicle-cine-09-de-setembro/

O carro elétrico fabricado no Brasil

Modelo a ser lançado pela Fiat em 2011, semelhante ao Palio Weekend, tem uma enorme bateria de cloreto de sódio, o sal de cozinha.

Ainda que bivolt (pode ser alimentado a partir de tomadas de 110 ou 220 volts) e com desempenho de cinco centavos por quilômetro rodado, o primeiro carro movido a eletricidade a ser fabricado no Brasil terá motor de apenas 38 cavalos, metade da potência de um carro de 1.000 cilindradas.

Outro fator que deve desanimar os consumidores é a autonomia da sua bateria: apenas 120 quilômetros, um quarto do que roda um carro a combustão sem precisar abastecer. Quanto ao preço, o modelo custaria R$ 150 mil se fosse lançado hoje, o triplo do que se cobra por um Palio Weekend convencional.
Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/economia/negocios/o-carro-eletrico-fabricado-no-brasil/?ga=dptf3

Palio Weekend Elétrico - O Palio Weekend Elétrico nasceu de uma parceria firmada entre a Fiat Automóveis, a hidrelétrica Itaipu Binacional e a empresa suíça KWO, além de outros colaboradores provenientes de empresas de tecnologia e instituições de pesquisa. A deliberação de fazê-lo funcionar unicamente com eletricidade é reflexo do momento que a indústria automobilística vivencia na busca por uma alternativa definitiva de energia limpa e de baixo custo.

O Palio Weekend Elétrico é totalmente movido a energia elétrica. Ele está equipado com um motor que gera potência máxima de 15 Kw (20 cv) e torque máximo de 50 Nm (5,1 kgfm). Sua energia é proveniente de uma bateria de níquel, situada no fundo do porta-malas, e sua autonomia é de 120 km.

Externamente o Palio Weekend Elétrico é idêntico às versões que são movidas a combustível líquido ou gasoso. Porém, é no interior que ele se diferencia dos demais modelos com motor de combustão interna. Ao invés da tradicional alavanca de mudanças de marchas, há um artefato do tipo joystick que pode ser posicionado em três posições – Drive, Neutro e Ré.

Fonte: http://www.mecanicaonline.com.br/especiais/2008/10/salao%2Bdo%2Bautomovel%2Bbrasil/10%2Bfiat.htm


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Evento institui setembro o mês da bicicleta

Paula Melech

Com mais de 1 milhão de veículos nas ruas, Curitiba registra cada vez mais congestionamentos, poluição e dificuldades de locomoção. Pensando em formas de melhorar a mobilidade no trânsito das cidades, artistas, ativistas e grupos que defendem meios alternativos de transporte se uniram no evento Arte Bicicleta Mobilidade e instituíram setembro o mês da bicicleta.

O período não foi escolhido à toa. Este mês acontece também a Semana Nacional do Trânsito, de 18 a 25 e o Dia Mundial Sem Carros, no dia 22, quando será realizada a "Marcha das Mil Bikes".

A série de atividades para cobrar políticas de incentivo e apoio ao uso da bicicleta inicia nesta terça-feira (1), com a terceira edição do Desafio Intermodal, para comparar os diferentes modais e comprovar qual é o mais rápido e o menos poluente.

No Desafio, serão comparados bicicleta, carro, ônibus, motocicleta, pedestres, um corredor e duas pessoas com problemas de acessibilidade. Nas duas edições anteriores, a vencedora com o menor tempo foi a bicicleta. A emissão de poluentes, tempo e gastos de cada modal são analisados por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná e do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec).

"Queremos divulgar uma cultura de mobilidade mais saudável, com o uso da bicicleta ou à pé. A cultura em cima do automóvel chegou ao limite, o planeta não está mais suportando", afirma o coordenador do programa de extensão da UFPR, Ciclovida, José Carlos Belloto.

O Ciclovida realizou cálculos mostrando que uma pessoa que mora a 10 quilômetros do trabalho e faz o trajeto de bicicleta queima 21 mil calorias por mês. Outro ponto positivo é que o ciclista deixa de emitir 96 quilos de poluentes e economiza cerca de R$ 150 mensalmente.

Confira a programação do Arte Bicicleta Mobilidade no site do evento.

domingo, 30 de agosto de 2009

Em Copenhague, 37% da população andam de bicicleta

A capital dinamarquesa é a cidade mais popular da Europa entre os ciclistas. São 350 km de ciclovias em uma cidade limpa e sem ladeiras, o que faz com que 37% das pessoas em Copenhague vão de bicicleta para o trabalho, escola ou universidade. E eles têm preferência nos cruzamentos e nos semáforos.

A cidade vai ser sede da conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, em dezembro, e quer provar para o mundo o quanto ela já é verde, além de dizer como pretende cumprir as ambiciosas metas para o futuro. Até 2015, as autoridades de Copenhague esperam que metade da população se locomova de bicicleta.

Para conseguir isso, já há uma ponte que é fechada para carros e planos para ampliar as ciclovias existentes. Também está sendo estudada a criação de um pedágio urbano para desencorajar os motoristas de carros.

A campanha conta com o apoio do príncipe da Dinamarca, que também anda de bicicleta.

"É bom para o clima, mas também para manter a forma e evitar a obesidade, um outro grave problema dos dias de hoje", diz o príncipe Frederik.

Uma pesquisa do departamento de transportes de Copenhague indica que quanto mais pessoas andam de bicicleta, mais segura é a viagem para cada uma delas. O número de ciclistas mortos na cidade caiu pela metade na última década e a maioria dos motoristas não reclama, porque eles também têm bicicletas.

Agora, com a conferência do clima acontecendo na cidade, Copenhague espera servir de inspiração para outras capitais europeias.

Assista o video