segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

COMO FABRICAR UM NOVO COLLOR – JOSÉ COLLOR SERRA

Laerte Braga


Há uma diferença fundamental e são poucas as pessoas que percebem. Já foi retratada em várias situações através da literatura, do cinema, do teatro, falo de diferenças entre um bordel desses que os jornais costumam chamar de “zona de baixo meretrício” e o complexo PSDB/DEM/GLOBO/FIESP/DASLU.

Numa “zona de baixo meretrício” há regras básicas de comportamento que se não são obedecidas implicam num convite discreto, mas firme ao infrator, para que se retire do local. É proibido cuspir no chão, por exemplo, ou avançar sobre mulher alheia no momento que essa alheia estiver ocupada, digamos assim. E é preciso um respeito absoluto pelas crianças que brincam ao redor, filhos das trabalhadoras do local.

Quase sempre estão rodando aros de metal, velhas rodas de bicicleta, ou caminhões de madeira quebrados e sem rodas, quase todas desdentadas e muitas arredias num canto qualquer, na expectativa de um pastel, um copo de caldo de cana, coisas assim, para matar a fome de todo dia.

O governador de São Paulo José Collor Serra disse em 2002, quando perdeu as eleições presidenciais para Lula, que nunca havia visto uma vaca ao vivo até aquele momento. Fez essa declaração diante de uma espécie bovina, entre surpreso e risonho, olhos fixos nas câmeras e deixando a entender aos jornalistas que sua vida sempre foi de sacrifícios, trabalho e dedicação à causa pública. E quando sorri, José Collor Serra apenas exibe um esgar de desprezo pelas pessoas.
José Collor Serra sabia apesar disso o significado e o poder da chantagem na política, principalmente no meio que escolheu para os seus “sacrifícios”, seu “trabalho” e sua “dedicação”. O complexo PSDB/DEM/GLOBO/FIESP/DASLU e alguns adereços, como o PPS de Roberto Freire.

Um ano antes das eleições presidenciais de 1989 o grande temor das elites brasileiras, expresso de todas as formas possíveis pela GLOBO, era a eleição de Leonel Brizola para a presidência da República. As primeiras pesquisas de intenções de votos mostravam que as chances de Brizola eram reais.

Uma edição especial do programa GLOBO REPÓRTER foi montada mostrando os feitos do então governador de Alagoas Fernando Collor de Mello, filho de Arnon de Mello (ex-senador da UDN), amigo da família Marinho e resposta encontrada pelos marqueteiros da GLOBO e do complexo de interesses que representava e representa a organização. Organização aí tem de fato o sentido de máfia, quadrilha, plêiade de criminosos. Súcia, malta, etc.

Foi nessa edição que deram partida ao mito do “caçador de marajás”. Não importa que fosse ele Collor um marajá, ou um tresloucado. Importa que era alguém capaz de executar o programa político e econômico traçado pelo chamado Consenso de Washington, essa tal de globalização – “globalitarização” o termo real e da lavra do antropólogo Milton Santos –. O “caçador de marajás” era o slogan do sabão em pó a ser vendido aos brasileiros, em contrapartida aos “riscos” Brizola, Lula àquela época não era ainda um perigo para esses interesses.

De lá até as eleições um arrastão só. O frenesi Collor de Mello “desfechando potentes golpes” contra a inflação, contra o desemprego, contra o atraso (disse que a indústria automobilística brasileira não fabricava carros, mas “carroças”), falou em “nova abertura dos portos”, o que foi concretizado anos mais tarde por Fernando Henrique Cardoso, outra versão do “caçador de marajás”, já que o dito cujo jogou tudo para o alto e trapalhadas que não conseguiram abafar. Era só um sabão em pó a mais criado pelo marketing das elites via GLOBO, mas o mesmo sabão de antes. Embalagem e nova “fórmula milagrosa” para a mesma coisa.

A diferença entre Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso se bem pesado depõe a favor de Collor. Um filhinho de papai que nunca fez nada vida, louco, alucinado, mas autêntico nessa loucura, nessa avidez com que se lançou ao dinheiro público via PC Farias. A quadrilha alagoana era fraca demais, pequena demais para o papel que lhe foi conferido, superestimaram o bandido.


FHC não. Intelectual, acostumado a traições, a ser comprado sem maiores dificuldades, ardiloso, frio, cínico ao absoluto, dono de uma vaidade sem tamanho (por aí é que foi pego), o ideal para cumprir os desígnios da grande máfia, o Consenso de Washington (lei de patentes, privatizações, a tal abertura dos portos, compra de deputados e senadores para um novo mandato, tudo planejado de forma fria e despudorada por uma quadrilha, os tucanos, à altura do desafio imposto pelos donos).

José Collor Serra é como se fosse um cruzamento de Fernando Collor de Mello no que o alagoano tem de tresloucado, com o cinismo e a podridão absoluta de Fernando Henrique Cardoso, “qualidades” às quais se pode acrescer a ausência plena de qualquer vestígio de humanidade.

É lato senso a figura mais repulsiva da política brasileira.

Acuado pela perspectiva de uma disputa dentro do seu partido com o governador de Minas Aécio Neves no pleito pela indicação para a disputa da presidência da República, chamou um dos seus jornalistas, Juca Kfoury e tornou pública uma atitude do governador de Minas, sugerindo, aí o fato principal, a dependência química de Aécio à cocaína. Foi o próprio Juca quem em meados de 2008 revelou que Mineirão cantara em coro no jogo Brasil e Argentina “o Maradona, por que parou, parou por que, o Aecinho cheira mais que você” (A GLOBO, à época, tirou o som local do estádio, ainda estava indecisa sobre quem seria o ungido por Washington e os acionistas minoritários dessas máfias).

Daí a mandar um recado a Aécio Pirlimpimpim Neves que o assunto viria a tona em notas aos borbotões, desqualificando-o e tirando-o da disputa caso não saísse moto próprio, foi um pulo. É especialista em chantagem. Tem uma equipe que trabalha vinte e quatro horas por dia de joelhos ao seu dispor, inclusive Juca Kfoury.

E mais a GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADO DE SÃO PAULO, VEJA, RBS, ÉPOCA, BANDEIRANTES, etc.

Ato contínuo o governador chamou o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (eleito depois de uma chantagem em cima do rival Geraldo Alckmin), com quem vinha tendo diferenças. A senadora Kátia Abreu, líder do latifúndio no Congresso e corrupta de carteirinha vitalícia, já pressionado pelo governador de Brasília José Roberto Arruda de cair atirando e foram todos para Copenhague na onda da conferência mundial sobre meio-ambiente, despejar o cheiro fétido do que representam, de seus partidos, que exala deles próprios. Levou, de quebra, alguns assessores assim tipo secretário para engraxar sapatos, outros para arrumar as malas, coisas do gênero.

Obrigado a engolir momentaneamente a chantagem de Arruda, deixou tudo acertado aqui com o JORNAL NACIONAL e os outros veículos de comunicação (putz! É o cúmulo, veículos de comunicação), resolveu resolver o problema fora do País, como escrevi anteriormente, longe dos holofotes e das algemas. Num exercício de sabão em pó que lava mais branco. Um encontro com o exterminador do futuro que governa o estado norte-americano da Califórnia, farta matéria publicitária (paga) no JORNAL NACIONAL e na REDE BANDEIRANTES, aí o pulo do gato.


Em companhia de Serra e sua entourage, do prefeito Kassab e sua entourage, de Katia Abreu (levou na mala pistolas com silenciadores para quaisquer eventualidades) levou também, DANIELA SAAD, sua assessora especial para qualquer assunto, (imagem ao lado a esquerda, da nomeação para o cargo ,retirada do Cloaca News e DOSP) filha do dono da rede BANDEIRANTES de tevê e com cargo e salário no governo do mafioso em São Paulo. Plantão integral vinte e quatro horas por dia sem restrições ou limitações no trabalho. Tipo a GLOBO é maior, mas a primeira dama vai ser da BANDEIRANTES. Nem que seja por trás dos panos. O que isso significa em termos de ´”negócios” e lógico, dinheiro público, é imensurável. (imagem a direita da publicação da viagem retirada pelo CLOACA NEWS do Diario Oficial de SP)


Nem na zona de baixo meretrício. E por favor, não confundam meretrício com meritíssimo, não estou falando de Gilmar Mendes, mas de José Collor Serra.

Em Belo Horizonte, no Palácio das Mangabeiras e onde mais o governador de Minas (que mora no Rio, ele e Serra se merecem) possa estar, o quadro é de revolta com a chantagem, de desolação com a chave do cofre fora do alcance da mão, de ódio com o que chamam golpe baixo de Serra. Ciro Gomes havia dito a Aécio, a uns três meses atrás que Serra era capaz de qualquer coisa e o mineiro precisava ser mais agressivo se quisesse, de fato, ser candidato a presidente. Aécio achou que podia comer o mingau pelas beiradas, mas esse não. É frio, gelado, surge do nada e do tudo e dispara.

Como José Collor Serra acertou-se com Arruda em Copenhague, com Kassab, ou se não acertou-se, não sei. Arruda e Kassab são baratos e no caso do prefeito de São Paulo o governador tem armas demolidoras montadas no preconceito que acabou derrotando definitivamente Marta Suplicy nas eleições municipais de 2008.

É só ter memória.

O que isso diz respeito a brasileiros e brasileiras?

Ora, Lula não é necessariamente o ideal, inventou o “capitalismo a brasileira” – definição perfeita de Ivan Pinheiro –, mas há uma quadro, uma realidade bastante diversa do período do atual presidente para o de FHC. E é favorável, em qualquer análise que faça, na lógica do modelo, a Lula.

Todos esses episódios dessa última semana, o ajuste final de contas de José Collor Serra com seus desafetos, mostra que o pode vir a ser um governo de Serra. Se José Collor Serra é a ponta visível desse iceberg de traições, assassinatos pelas costas e a sangue frio, friamente premeditados, é fácil imaginar o que está por trás disso, quem está por trás de todo esse banho de sordidez.

E o que tudo isso significa, o que espera o Brasil.

Está montado um novo Collor. Que soma o original a FHC e é igual a José Collor Serra.

Não existe nada mais repugnante que todo esse processo montado para fazer do Brasil uma colônia de interesses que não dizem respeito a brasileiros.

O risco que corremos é de tal ordem, que lutar para que essa malta não chegue ao poder é questão de sobrevivência da própria dignidade nacional, mesmo levando em conta que esse institucional está falido e não significa absolutamente nada diante dos caminhos reais que irão transformar o Brasil numa nação de fato livre e soberana. Senhor de si e dos seus destinos.

Essa realidade não passa, nem pode passar, por canalhas absolutos como José Collor Serra.

Detalhes sobre todo esse processo “democrático” podem ser vistos em:
http://namarianews.blogspot.com/2009/12/com-o-serra-no-cop15-e-alem.html
http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2009/12/como-fabricar-um-novo-collor-jose.html

Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, trabalhou no Estado de Minas e no Diário Mercantil.

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